O mercado financeiro brasileiro registrou forte euforia nesta segunda-feira (5), reagindo aos resultados do primeiro turno das eleições realizado no domingo (4). O Ibovespa disparou e fechou acima dos 200 mil pontos pela primeira vez na história, enquanto o dólar recuou para o patamar de R$ 5 e os juros futuros apresentaram queda firme em toda a curva.
O rali foi impulsionado pelo desempenho nas urnas e pela expectativa de mudança na política econômica a partir de 2027. O senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos, ante 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Além disso, os eleitores garantiram uma vitória majoritária da direita na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.
Analistas ouvidos pelo CNN Money apontam que a perspectiva de mudança injeta novo ânimo no mercado, mas alertam que a sustentação desse cenário dependerá de sinais concretos sobre a política fiscal por parte do candidato do PL. O time de pesquisa econômica do Banco Pine destacou em relatório que a reação inicial dos ativos é favorável devido à percepção de maior disposição para conter gastos, mas a manutenção da reprecificação exigirá o detalhamento das propostas econômicas e da futura equipe de governo.
Diante do novo cenário, o Morgan Stanley elevou as projeções e estimou que o Ibovespa pode alcançar 250 mil pontos em um cenário otimista, embora tenha classificado os desafios fiscais do Brasil como substanciais e apontado riscos oriundos da desaceleração econômica e de reestruturações de dívidas de empresas. Por sua vez, o J.P. Morgan aumentou sua posição de compra no Brasil, avaliando que a valorização do real pode abrir caminho para cortes mais frequentes na taxa Selic, com expectativa de redução em novembro após as decisões do Copom. O UBS também avaliou que a posição de Flávio fortalece o cenário de ajuste fiscal.
No fechamento da segunda-feira, após Flávio superar o atual presidente no primeiro turno, a Bolsa subiu mais de 7% e encerrou aos 206.911,89 pontos, atingindo a máxima intradiária de 209.605,70 pontos. O dólar caiu mais de 4% e os juros futuros recuaram quase 1 ponto percentual. Trata-se do melhor desempenho do Ibovespa em um pregão pós-primeiro turno desde 1994.
Plano de governo e dúvidas sobre o ajuste fiscal
O plano de governo de Flávio Bolsonaro apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) traz como bandeira principal um "grande tesouraço", prometendo um corte profundo para enxugar a máquina pública, colocar as contas em ordem e reduzir impostos. Contudo, o mercado ainda aponta falta de clareza sobre as medidas práticas que serão adotadas.
Maurício Valadares, CIO da Nau Capital, afirmou ao CNN Money que os investidores concederam o "benefício da dúvida" ao candidato, mas ressaltou que o mercado exigirá medidas concretas para manter as reações positivas, visto que faltam detalhes no pacote econômico e a definição de um nome para o Ministério da Economia.
A equipe econômica de Flávio estuda uma nova PEC da Transição focada no enxugamento da máquina pública, mirando um corte de gastos de R$ 300 bilhões para estabilizar a dívida pública acima de 80% do PIB, conforme apuração da CNN Brasil. No entanto, Daniella Marques, assessora econômica da campanha e ex-presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), seguiu sem apontar indicações concretas sobre o plano em entrevista à emissora.
Para Thomas Monteiro, analista-chefe do Investing.com, o horizonte de longo prazo permanece como uma incógnita. Segundo ele, embora haja um passo importante em relação à estrutura de governo e ao tamanho do Estado, o momento atual reflete euforia, sendo necessário aguardar os projetos e a governabilidade de fato.
