Expectativa de alta histórica
Nesta "superquarta", o Federal Reserve (Fed) está no centro das atenções. O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) iniciou nesta terça-feira (15) uma reunião de política monetária marcada pela forte expectativa de um aumento nos juros dos Estados Unidos, o que não ocorre há três anos. A decisão, aguardada para quarta-feira (16), surge em um cenário de pressão inflacionária global, impulsionada pela disparada do preço do petróleo devido ao conflito envolvendo os Estados Unidos, aliados e o Irã.
Mudança nas apostas do mercado
O sentimento dos investidores mudou drasticamente em pouco tempo. Se há um mês a maioria apostava na manutenção da taxa entre 3,5% e 3,75%, na última segunda-feira (14), cerca de 92,4% dos operadores já consideravam a elevação como o caminho mais provável. O índice de despesas de consumo pessoal (PCE), favorito do Fed, registrou alta de 3,7% no acumulado de 12 meses, refletindo a aceleração inflacionária.
Impactos econômicos e políticos
A economista Andressa Durão, do ASA, explica que o aumento dos juros reduz os preços dos títulos e pressiona ações, além de encarecer o crédito, o que tende a desaquecer o consumo e os investimentos. Paralelamente, os Estados Unidos enfrentam uma dívida pública recorde superior a US$ 40 trilhões, e a gestão de Donald Trump lida com críticas sobre a integridade fiscal.
Dissenso e pressão institucional
Mesmo com sinais de desinflação apontados por membros como Christopher Waller, o presidente do Fed, Kevin Warsh, tem adotado um tom rígido, sinalizando que a autoridade não tolerará desvios da meta de 2%. A postura de Warsh contrasta com a pressão do ex-presidente Donald Trump, que defende taxas menores e chegou a ameaçar suspender parcerias comerciais caso o Banco Central norte-americano não recue na política de juros altos.
