Em 3 de novembro de 2026, os eleitores dos Estados Unidos comparecerão às urnas para definir a composição do próximo Congresso americano e decidir cargos estaduais e locais. Conhecidas como Midterms ou Eleições de Meio de Mandato, essas disputas ocorrem a cada dois anos, bem no meio do mandato presidencial. O pleito coloca em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e um terço dos 100 assentos do Senado.
Etapas e calendário das eleições primárias
Antes do pleito de novembro, os partidos realizam as eleições primárias para definir seus candidatos. Em 2026, esse período ocorreu entre 3 de março e 15 de setembro, com a maioria dos estados concentrando as votações de maio a agosto. De acordo com a EAC (Comissão de Assistência Eleitoral dos EUA), o calendário teve início no começo de março, e os procedimentos como registro de eleitores, voto por correspondência e votação antecipada variam conforme as leis de cada estado.
Priscila Caneparo, pós-doutora em Direito Internacional e professora da Washington & Lincoln University, explica que as diferenças entre os estados ocorrem devido ao sistema eleitoral americano ser descentralizado e baseado em legislações estaduais, ao contrário do modelo brasileiro. No entanto, a especialista destaca que o efeito final para os candidatos tem menor complexidade que a eleição presidencial por se tratar de votação direta. Sobre a votação antecipada, Caneparo afirma que a modalidade busca ampliar a participação dos eleitores.
O que está em disputa no dia 3 de novembro
Fixada pela Constituição dos Estados Unidos, a terça-feira de 3 de novembro de 2026 marcará a votação oficial das Midterms. Estarão em jogo:
- As 435 cadeiras da Câmara dos Representantes;
- 35 das 100 cadeiras do Senado;
- Governos de 36 estados e 3 territórios;
- Cargos estaduais e locais adicionais, além de consultas e propostas públicas.
Na Câmara, os deputados cumprem mandatos de dois anos, renovando todos os assentos, cuja quantidade por estado depende da população local. No Senado, os mandatos duram seis anos e são escalonados, renovando cerca de um terço das cadeiras a cada bienal para somar 100 integrantes no total. Os eleitores também votam para cargos como procurador-geral, secretário de Estado — função distinta da diplomacia federal —, vice-governador, além de disputas legislativas estaduais, judiciais e locais.
Pós-eleição e início do novo Congresso
O processo não termina no dia da votação. Autoridades estaduais realizam a contagem e a posterior certificação dos resultados, cujos prazos mudam conforme as regras regionais, podendo envolver recontagens e contestações judiciais. Durante o período entre a votação e a posse do novo Congresso, os parlamentares atuais seguem em funções, embora com limitações práticas.
Segundo Priscila Caneparo, os legisladores exercem seus mandatos sem grande perspectiva de continuidade ou novas propostas de impacto. "Eles vão exercer seus mandatos, mas de forma muito mais, sem uma perspectiva de continuidade, de forma muito mais por conta do calendário do que por conta de fato dos seus mandatos e das propostas, porque não vai ter continuidade", pontuou a professora, acrescentando que aprovações relevantes antes da mudança na Casa são improváveis.
Conforme a Constituição e a legislação federal, os mandatos do novo Congresso começam ao meio-dia de 3 de janeiro do ano seguinte. Contudo, como o dia 3 de janeiro de 2027 cairá em um domingo, o 120º Congresso poderá ter início em data posterior caso o colegiado atual aprove uma legislação com essa finalidade. Os membros eleitos participam de preparações prévias, como a escolha do presidente da Câmara, até que tomem posse oficialmente para dar início ao 120º Congresso dos Estados Unidos.
