O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrenta um dilema econômico marcante. Embora os indicadores macroeconômicos permaneçam sólidos, com crescimento estável, desemprego baixo e o mercado de ações próximo a máximas históricas, a opinião pública nos Estados Unidos demonstra insatisfação. A situação lembra o cenário vivido por seu antecessor, Joe Biden, em 2024, quando dados positivos não foram suficientes para convencer os eleitores de que a economia beneficiava a população.
Durante a campanha eleitoral de 2024, Trump prometeu reduzir os preços imediatamente após assumir o cargo. Contudo, cumprir tal promessa tem se mostrado complexo. O relatório de inflação divulgado antes das eleições de meio de mandato evidenciou que o custo de vida continua alto para as famílias.
Causas e fatores de pressão
Enquanto Biden lidava com as consequências econômicas da pandemia de covid-19, Trump enfrenta novos desafios. Entre os fatores apontados estão os preços elevados de energia, intensificados pelo conflito envolvendo os Estados Unidos e Israel contra o Irã, além de impactos decorrentes de políticas comerciais e migratórias adotadas pela atual gestão.
Especialistas e economistasdivergem sobre as responsabilidades. Peter Morici, economista da Universidade de Maryland alinhado aos republicanos, atribui diretamente a inflação atual a Donald Trump, mencionando as tarifas e a guerra. As tarifas comerciais instituídas em abril de 2025 elevaram os custos para os consumidores. Um estudo do Federal Reserve de Nova York indicou que as taxações impulsionaram os preços de bens de consumo em cerca de 2,9%. O impacto não foi maior porque o presidente suspendeu algumas tarifas, celebrou novos acordos comerciais e enfrentou barreiras impostas pela Suprema Corte quanto ao uso de poderes de emergência.
Adicionalmente, a escalada nos preços do petróleo provocada pelo confronto com o Irã encareceu a gasolina, pressionando ainda mais o orçamento doméstico.
A percepção pública e o custo de vida
A divergência entre estatísticas e a percepção dos eleitores reside no fato de que a população avalia a economia com base em despesas cotidianas, como os gastos no supermercado e o preço dos combustíveis, e não em índices como o Produto Interno Bruto (PIB) ou máximas do mercado financeiro.
Dados econômicos recentes apontam um crescimento de 2,2% e uma taxa de desemprego estável em 4,2% nos Estados Unidos. No entanto, o salário médio por hora subiu 3% no último ano, enquanto a inflação ao consumidor registrou alta de 3,7%, superando o reajuste salarial e gerando avaliações negativas sobre a gestão de Trump.
Celinda Lake, pesquisadora de opinião pública ligada ao Partido Democrata, aponta que economistas e eleitores interpretam o termo inflação de formas distintas. Enquanto os primeiros indicam desaceleração no ritmo de alta dos preços, os cidadãos esperam o retorno aos patamares anteriores.
Respostas da Casa Branca
A administração federal defende seus resultados apontando cortes de impostos, geração de empregos e a redução nos preços de medicamentos com receita médica. O porta-voz da Casa Branca, Matthew Middleton, declarou que a agenda econômica pró-crescimento do governo atenuou a crise inflacionária herdada. O aliado e comentarista econômico Larry Kudlow classificou a expansão atual como uma história positiva e destacou a estabilidade no emprego.
Para tentar conter a insatisfação popular, o governo tem adotado medidas adicionais, incluindo a solicitação de um limite para as taxas de juros de cartões de crédito e a sondagem de um pagamento de US$ 5 mil aos adultos caso os republicanos mantenham o controle do Congresso.
