NewsHub
Política

Ministério do Trabalho estuda criar lista suja para punir assédio eleitoral

Ministério do Trabalho avalia criar cadastro para punir empresas que cometerem assédio eleitoral, após alta de denúncias registradas pelo MPT.

Redação•28 de out. de 2026, 21:30
Ministério do Trabalho estuda criar lista suja para punir assédio eleitoral
Imagem: site

Ministério do Trabalho estuda criar lista suja para punir assédio eleitoral

Ouça esta matéria em voz alta

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) avalia a criação de uma chamada "lista suja" destinada a empresas que praticam assédio eleitoral no ambiente de trabalho. A medida foi anunciada nesta quarta-feira (28) pelo ministro Luiz Marinho e seguiria o mesmo modelo do cadastro mantido para instituições flagradas com trabalho análogo à escravidão.

A iniciativa do MTE surge após a proliferação de relatos nas redes sociais nos últimos dias, envolvendo casos de demissões de funcionários, recusas para novas contratações e boicotes direcionados a estabelecimentos associados a apoiadores de Lula. Dados do Ministério Público do Trabalho (MPT) apontam que, desde o último domingo (25), foram registradas 1.353 denúncias — montante que representa cerca de 41% do total contabilizado em 2026.

O levantamento do MPT aponta o estado de São Paulo no topo das notificações, com 608 registros, seguido por Minas Gerais (338), Paraná (329), Rio de Janeiro (243) e Rio Grande do Sul (210). Durante entrevista coletiva realizada na quarta-feira, Luiz Marinho qualificou o volume de ocorrências pós-eleição como um "absurdo" e um patamar "anormal", atribuindo o cenário ao clima de hostilidade promovido por lideranças políticas.

“A sociedade brasileira entrou em um período de estímulo de lideranças ao ódio, ao preconceito, e alguns empresários, levados no calor dessas lideranças, estão extrapolando em sua relação profissional”, declarou o ministro, acrescentando que as companhias não devem transferir cargas de raiva e violência contra os trabalhadores.

De acordo com o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Phelipe Vieira de Mello Filho, o elevado fluxo de queixas antes, durante e depois das eleições prejudica a atuação da Justiça, exigindo maior articulação entre órgãos públicos. O magistrado pontuou que os efeitos atingem empregados com vínculo formal, autônomos, pequenos estabelecimentos e microempreendedores individuais (MEIs). Como medida de resposta, o presidente do TST informou que os juízes da corte permanecerão de plantão até o final de 2026, com possibilidade de prolongamento para o início de 2027, visando acelerar os processos, além da orientação para que tribunais estaduais priorizem tais ações.

Punições e restrições econômicas

Segundo o MTE, o fluxo processual prevê que, após as notificações de assédio, perseguição e demissão, a Justiça realize a devida avaliação legal, acompanhada de reuniões entre as empresas, sindicatos e os trabalhadores afetados.

Luiz Marinho explicou que, com amparo na Lei nº 9.029/1995 e após decisão judicial correspondente, a pasta acionará o Banco Central (BC) e demais instituições financeiras para bloquear o acesso dessas companhias a linhas de crédito.

“Faço um alerta para quem continua nessa iniciativa: o dano econômico será elevado. Espero que repensem e não se deixem levar por opiniões políticas”, afirmou o presidente do TST.

Como parte das ações de combate à prática, o governo informou que o monitoramento e a fiscalização sobre postagens em redes sociais que estimulem o assédio eleitoral nas corporações serão intensificados.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/mte-estuda-criar-lista-suja-para-empresas-que-cometem-assedio-eleitoral/

Compartilhar