Após o anúncio do cancelamento do debate presidencial da TV Globo, ocorrido na noite de quinta-feira (1°), vídeos com a declaração de voto da ministra Estela Aranha, integrante do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em favor do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passaram a circular amplamente nas redes sociais. A manifestação da magistrada ocorreu durante o pleito de 2022, na disputa de segundo turno entre Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
No registro que viralizou, a ministra afirmou: “Voto em Lula no segundo turno. Eu voto 13 porque, como advogados, nós não temos outra opção que não seja o Lula para a gente estancar o aumento do autoritarismo, para a gente defender o Estado democrático de Direito e a democracia no país”. Na mesma gravação, Aranha sustentou que os profissionais do Direito deveriam votar no atual presidente para resguardar o próprio sistema de Justiça.
Cancelamento do debate presidencial
Segundo a TV Globo, a decisão de cancelar o evento — medida adotada pela primeira vez desde 2002 — decorreu do recebimento de duas notificações que afetavam as normas previamente estabelecidas. A emissora apontou que a primeira alteração adveio de uma determinação de Estela Aranha, que acatou um pleito da coligação de Lula para vedar perguntas e proibir a manutenção de um púlpito vazio no cenário.
De acordo com a rede de televisão, a decisão judicial invalidou a cláusula da ata assinada por todas as legendas, incluindo o PT, que previa a conservação de um espaço reservado e identificado para candidatos ausentes.
Trajetória e histórico profissional
Estela Aranha assumiu o cargo de ministra do TSE em 1º de agosto de 2025, com mandato estipulado em dois anos. Sob a gestão do atual governo, exerceu o cargo de secretária de Direitos Digitais no Ministério da Justiça e Segurança Pública, durante a administração de Flávio Dino, período em que obteve visibilidade por sua postura enérgica contra as big techs. Posteriormente, atuou como assessora especial da Presidência da República na assessoria internacional liderada por Celso Amorim, além de ter integrado o gabinete da Presidência do TSE em 2025, sob a chefia da ministra Cármen Lúcia.
A magistrada também integrou o Conselho Consultivo de Alto Nível da ONU sobre Inteligência Artificial e presidiu as comissões de Proteção de Dados do Conselho Federal da OAB no Rio de Janeiro. Graduada em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) em 1999, concluiu mestrado em Direito Constitucional no IDP. Sua carreira abrange forte atuação acadêmica e profissional voltada ao direito digital e à inteligência artificial.
