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Economia

Negociação, jornadas e aplicativos: as propostas de Lula e Flávio Bolsonaro

Candidatos à Presidência, Lula e Flávio Bolsonaro apresentam propostas distintas para o mercado de trabalho, abordando a CLT, jornadas e aplicativos.

Redação•23 de out. de 2026, 03:30
Negociação, jornadas e aplicativos: as propostas de Lula e Flávio Bolsonaro
Imagem: site

Negociação, jornadas e aplicativos: as propostas de Lula e Flávio Bolsonaro

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O debate sobre emprego e modelos de trabalho ganhou espaço central nos programas de governo e nas declarações públicas dos candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). As propostas divergem sobre o papel da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e a necessidade de flexibilização das regras trabalhistas diante das transformações do mercado.

A CLT e as transformações no mercado de trabalho

Criada em 1943, durante o governo de Getúlio Vargas, a CLT incorporou garantias como férias remuneradas, 13º salário, FGTS, licença-maternidade e regulação da jornada. No entanto, o cenário econômico mudou com a perda de espaço da indústria para o setor de serviços e o avanço da internet, que impulsionou novas formas de contratação.

Dados apontam que cerca de 1,8 milhão de brasileiros trabalham por meio de plataformas digitais de serviços. Paralelamente, o percentual de trabalhadores por conta própria com CNPJ alcançou 27,1% em 2025, ante 15% em 2012, segundo o IBGE. Enquanto defensores da flexibilização argumentam que a legislação se tornou rígida, apoiadores da manutenção de direitos apontam para a necessidade de atualizar os mecanismos de proteção social.

O cenário do emprego formal

Apesar da expansão de aplicativos e da pejotização, o Ministério do Trabalho registrou a criação de 165,8 mil vagas com carteira assinada apenas em agosto, elevando o saldo acumulado do ano para mais de 1,1 milhão de empregos formais. A taxa de desemprego recuou para 5,3% — menor nível para o período na série histórica do IBGE —, com a população ocupada atingindo 103,5 milhões de pessoas e o setor privado formal alcançando 39,5 milhões de trabalhadores.

As propostas de Flávio Bolsonaro (PL)

Flávio Bolsonaro afirma que não pretende extinguir a CLT ou retirar direitos, mas propõe ampliar a liberdade de negociação entre empresas e trabalhadores e adotar contratos por hora. O plano de governo destaca o eixo "O Brasil que Prospera", que apoia o primado do "negociado sobre o legislado" para que empregado e empregador definam diretamente as condições de trabalho.

O coordenador de campanha e senador Rogério Marinho (PL) é autor de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que institui um regime alternativo de trabalho por hora, cuja discussão deve avançar após o pleito. A campanha argumenta que a medida oferece liberdade para que os trabalhadores escolham jornadas mais adequadas à própria rotina e aumentem a renda.

As propostas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Lula defende a preservação e o fortalecimento da proteção trabalhista, propondo ampliar direitos para trabalhadores formais e informais. O plano inclui a manutenção da política de valorização do salário mínimo, a redução da jornada semanal para 40 horas, o apoio ao fim da escala 6x1 e a regulamentação do trabalho por aplicativos — incluindo contribuição previdenciária e regras permanentes para o setor.

O candidato também propõe combater a pejotização irregular, fortalecer a negociação coletiva e a atuação sindical, além de ampliar políticas de crédito para microempreendedores, autônomos e cooperativas. Procurada pela reportagem, a campanha de Lula não enviou resposta ao pedido de declaração.

Fonte: https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2026/10/23/negociar-com-patrao-mudar-jornadas-e-regular-apps-o-que-lula-e-flavio-propoem-aos-trabalhadores.ghtml

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