A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou nesta quarta-feira (23) seu relatório interino de perspectivas econômicas, apontando que a atividade global desacelerou no primeiro semestre de 2026, embora tenha mantido resiliência em diversas nações, mesmo diante dos reflexos negativos do conflito no Oriente Médio.
De acordo com a entidade, estoques elevados de petróleo, o incremento na oferta externa às nações do Golfo e ações de apoio governamental ajudaram a suavizar os impactos na economia mundial. Adicionalmente, o setor de inteligência artificial (IA) deu sustentação aos investimentos, à produção e ao comércio.
Apesar disso, a OCDE adverte que o cenário permanece altamente vulnerável a uma resolução definitiva para os confrontos no Oriente Médio. O relatório aponta que os custos da energia voltaram a subir devido ao agravamento de falhas na produção e nas exportações na região do Golfo. Gargalos produtivos e margens de refino elevadas também exercem pressão sobre os preços cobrados dos consumidores e as despesas das companhias. Paralelamente, produtos agrícolas registraram alta acentuada recentemente, impulsionados por eventos climáticos extremos.
O documento menciona que alterações comerciais, como tarifas e restrições de exportação, elevam as incertezas e geram rupturas no abastecimento. A instituição calcula que novas tarifas bilaterais implementadas pelos Estados Unidos a partir de julho elevaram em cerca de 1 ponto percentual a tarifa efetiva média no país. Outro fator de alerta é a escalada dos juros de longo prazo, que atingiram os patamares mais altos em 15 anos ou mais em várias economias, impulsionados por riscos fiscais e pela emissão expressiva de títulos corporativos ligados à IA. Em contrapartida, as condições financeiras gerais continuam positivas, com bolsas em patamares elevados e expansão do crédito.
Previsões para o PIB global e principais economias
Para o Produto Interno Bruto (PIB) mundial, a estimativa é de expansão de 2,9% em 2026 e de 3,0% em 2027. Frente ao balanço divulgado em junho, a previsão para 2026 foi revisada para cima em 0,1 ponto percentual, enquanto a de 2027 sofreu queda de 0,1 ponto.
- Estados Unidos: A expectativa de alta é de 2,2% em 2026 e de 2,1% em 2027, representando revisões de +0,2 ponto percentual e +0,3 ponto percentual, respectivamente.
- Zona do Euro: O avanço projetado é de 1,0% em 2026 (+0,2 ponto) e de 1,0% em 2027 (-0,2 ponto).
- China: A taxa prevista foi mantida em 4,5% para 2026, mas a de 2027 recuou 0,1 ponto, ficando em 4,2%.
Inflação e panorama monetário
A organização aponta que a inflação deve registrar alta no curto prazo, impulsionada pelas commodities, antes de arrefecer gradativamente em 2027 com a queda nos preços energéticos e o efeito da política monetária restritiva. A inflação geral do G20 é estimada em 4,1% para 2026, recuando para 3,6% em 2027. Já a inflação subjacente nas nações desenvolvidas deve passar de 2,7% para 2,5%.
A entidade destaca riscos de baixa como choques climáticos — incluindo a possibilidade de um El Niño de forte intensidade —, eventuais frustrações com os retornos de investimentos em inteligência artificial e a continuidade da alta nos rendimentos de títulos soberanos. Em contrapartida, um avanço mais veloz da IA com ganhos produtivos figura como fator positivo potencial.
No campo monetário, a OCDE reforça que os bancos centrais precisam assegurar expectativas inflacionárias ancoradas, alertando que novos ajustes podem ser exigidos caso as pressões de preços se expandam. A instituição defende ainda fiscalização rígida para garantir a estabilidade financeira, avanço regulatório sobre intermediários financeiros não bancários e criptoativos, além de reformas estruturais voltadas à diversificação energética e à ampliação da resiliência dos mercados.
