A viagem de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, realizada dois dias após a derrota nas urnas na eleição presidencial, gerou surpresa entre aliados dentro e fora do Partido Liberal. O candidato, que recebeu 59,8 milhões de votos, era esperado em reuniões em Brasília com parlamentares do partido para organizar a atuação no Congresso e a oposição ao governo Lula. No entanto, ele embarcou sem aviso prévio para a Flórida com a família.
Flávio Bolsonaro é alvo de investigações há meses devido a transações financeiras suspeitas ocorridas durante o seu mandato de senador pelo Rio de Janeiro, que se encerra em janeiro. Enquanto aliados avaliavam que ele desperdiçou uma posição de força para liderar a oposição após o pleito, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), adotou postura distinta.
Enquanto Flávio negava a derrota e pedia a anulação do pleito e a cassação do vencedor, Tarcísio divulgou um discurso gravado reconhecendo a vitória de Lula logo após a eleição. “Reconhecer o resultado não significa calar sobre os excessos”, declarou o governador paulista, citando interferência do Judiciário, uso da máquina pública e programas fora do prazo. Ele também agradeceu aos quase 60 milhões de brasileiros que participaram do pleito e mencionou nominalmente Flávio: “Obrigado, Flávio, por caminhar com a gente. Foi incrível essa caminhada”.
Reeleito no primeiro turno em São Paulo com 14,4 milhões de votos (62% do total), Tarcísio conduziu a campanha paulista de Flávio, que encerrou o segundo turno com 14,1 milhões de votos no estado. No pronunciamento, o governador discursou com tom nacional e assumiu espaço de liderança:
- Defendeu uma oposição vigilante focada em responsabilidade fiscal e fiscalização do governo nos próximos quatro anos.
- Alertou sobre reações do mercado financeiro ocorridas na segunda-feira (26/10), citando queda na bolsa, fuga de investidores e disparada do câmbio.
- Cobrou ministérios técnicos e sérios, corte de gastos, redução de impostos, combate rigoroso ao crime e prioridade para saneamento, saúde e educação em detrimento de juros da dívida.
Para Tarcísio, o sentimento expressado pelos eleitores nas ruas resume-se a um “Projeto de País”, sinalizando o início de um novo ciclo político para a oposição com menor protagonismo de Flávio Bolsonaro.
