A associação de cores a correntes políticas é uma prática recorrente em diversos países, mas que apresenta diferenças marcantes dependendo da localidade. Enquanto no Brasil a cor vermelha costuma ser ligada a partidos de esquerda, nos Estados Unidos ela passou a representar os políticos à direita, um arranjo que se consolidou de forma definitiva apenas no ano 2000.
A origem histórica do vermelho ligado à esquerda
Um dos primeiros registros da escolha da cor vermelha por revolucionários e progressistas remonta à Revolução Francesa. Por volta de 1789, bandeiras vermelhas eram hasteadas em Paris para sinalizar a lei marcial, indicando que os cidadãos não podiam se reunir em grandes quantidades sob a ameaça de repressão violenta dos militares a mando do rei Luís XVI.
Em 1791, durante um protesto no Campo de Marte para pedir a destituição do monarca, a Guarda Nacional atirou contra a multidão após o acionamento da lei marcial pelo prefeito parisiense. O episódio motivou a resposta dos jacobinos, a ala mais revolucionária do movimento antimonarquista, que se apropriou das bandeiras rubras como símbolo do sangue derramado no massacre e de oposição ao poder monarquista.
O grupo ganhou força e assumiu o controle do Estado em 1793. O símbolo vermelho reapareceu em insurreições posteriores, como o Levante de Junho de 1832 — que inspirou a obra 'Os Miseráveis' (1862), de Victor Hugo —, e na Revolução de 1848, quando republicanos e socialistas tentaram oficializar a bandeira vermelha pela República. Desde então, a preferência pelo vermelho foi mantida por grupos progressistas, trabalhistas, comunistas e socialistas, tornando-se a cor predominante do Partido Comunista Chinês, das Internacionais do movimento operário e de legendas de esquerda no Brasil.
A inversão e a consolidação das cores nos Estados Unidos
Historicamente, os Estados Unidos também mantiveram a relação entre o vermelho e a esquerda, enquanto o azul era associado ao conservadorismo, ligação fortalecida pelos uniformes azuis do exército de Abraham Lincoln, presidente que pertencia ao Partido Republicano. Durante a Guerra Civil, a forte rejeição ao comunismo e o chamado "Red Scare" (Medo Vermelho) levaram políticos de ambos os partidos a optarem por tons frios, como o azul, em suas campanhas.
Até o século XX, no entanto, as tonalidades utilizadas para representar cada partido variavam entre as emissoras de televisão. O padrão atual só se estabeleceu em 2000, durante a cobertura da disputa presidencial entre George W. Bush e Al Gore. Devido à apuração acirrada que durou um mês, as emissoras decidiram padronizar os mapas eleitorais para evitar confusões na audiência, adotando as cores dos canais mais populares — a CBS e a ABC já utilizavam o vermelho para os republicanos e o azul para os democratas desde a década de 1980, padrão também adotado pela CNN em 1992.
Atualmente, os tons tornaram-se sinônimos dos partidos americanos e são empregados para descrever as inclinações políticas de cidades e estados. Além disso, a cor roxa passou a ser utilizada para indicar áreas de flutuação de apoio entre as campanhas e ideias de ambos os lados.
