O presidente eleito em outubro deste ano para comandar o país no mandato de 2027 a 2030 assumirá o governo com o desemprego no menor nível da série histórica e com saldos positivos na balança comercial. No entanto, especialistas apontam que o próximo chefe do Executivo encontrará um cenário econômico adverso, caracterizado pela desaceleração da atividade econômica e por juros elevados.
Entre os obstáculos que devem persistir e dificultar o crescimento estão a baixa produtividade, a instabilidade internacional, o alto endividamento das famílias e as projeções de inflação acima da meta estabelecida.
Taxa de juros e contas públicas
Especialistas indicam que o principal desafio do futuro presidente será o patamar elevado da taxa básica de juros, que chegou a 15% ao ano e atualmente está em 13,75% ao ano. A taxa é mantida em patamares elevados pelo Banco Central com o objetivo de conter as pressões inflacionárias e direcionar a inflação para a meta de 3%.
Para viabilizar a redução dos juros, analistas defendem o reequilíbrio das contas públicas por meio de superávits crescentes para conter o avanço da dívida pública. O economista-chefe da Warren Investimentos, Felipe Salto, destacou que será necessário um programa de recuperação gradual aprovado pelo Congresso para vigorar o quanto antes, debatendo rubricas como vinculações, indexações, subsídios, supersalários, emendas parlamentares e a previdência dos militares. Por sua vez, o pesquisador do FGV Ibre, Flávio Ataliba, avaliou que o atual arcabouço fiscal ainda gera dúvidas e aumenta o prêmio de risco cobrado pelos investidores.
A economista Zeina Latif, sócia-diretora da Gibraltar Consulting e professora do Insper, também ressaltou que sinalizar compromisso com as contas públicas ajuda a reduzir expectativas inflacionárias, volatilidade cambial e taxas de juros, defendendo reformas para diminuir despesas obrigatórias.
Trabalho, produtividade e política comercial
Com a desaceleração econômica, o mercado de trabalho pode registrar perdas de dinamismo ao longo de 2027, segundo Flávio Ataliba. Os especialistas concordam que o aumento sustentável de renda exige o crescimento da produtividade, e Zeina Latif alertou sobre os riscos de estímulos artificiais ao consumo que geram estresse financeiro familiar.
No comércio exterior, impactado por tensões geopolíticas no Oriente Médio e por tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, os analistas defendem ampliar exportações e abrir a economia. Felipe Salto ressaltou a importância de resgatar o papel da indústria frente a novas agendas de energia, tecnologia e meio ambiente. Já Zeina Latif defendeu maior flexibilidade no Mercosul e a redução de tarifas de importação.
