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Proibição de bets pelo governo Lula agrava crise financeira dos clubes de futebol

A proibição das bets pela Medida Provisória nº 1.394/2026 impacta as receitas de marketing dos clubes de futebol e ameaça planos de recuperação judicial.

Redação•24 de out. de 2026, 08:30
Proibição de bets pelo governo Lula agrava crise financeira dos clubes de futebol
Imagem: site

Proibição de bets pelo governo Lula agrava crise financeira dos clubes de futebol

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A Medida Provisória nº 1.394/2026, que proíbe as casas de apostas, cortou uma importante fonte de financiamento dos clubes de futebol brasileiros, agravando o aperto financeiro das equipes. De acordo com a consultoria Sports Value, as bets respondem por 34% das receitas de marketing dos times e ocupam o posto de patrocinador master em catorze dos vinte clubes da Série A.

Diante do impacto financeiro, os dirigentes buscam anunciantes provisórios e alternativas para preservar os contratos com as bets, enquanto tentam ganhar tempo na expectativa de que o Congresso ou o STF revertam a medida. A insatisfação resultou em protestos em campo. Em 17 de outubro, na partida contra o Vasco, o São Paulo estampou na camisa a frase “Proibir não é proteger”.

O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, afirmou em entrevista reciente que o clube não terá dinheiro para pagar o salário de Lucas Paquetá em janeiro por causa da MP. A perda de patrocínios também ameaça acordos de reorganização financeira, como o do Botafogo. Documentos obtidos pela VEJA indicam que a recuperação judicial da equipe está em risco, visto que o contrato com uma casa de apostas previa receitas anuais de 50 milhões de reais. Na ação direta de inconstitucionalidade apresentada ao STF, o Botafogo argumenta que a intervenção compromete a execução do plano e afeta os credores.

Para contornar a situação momentaneamente, os clubes adotaram soluções improvisadas:

  • São Paulo e Fluminense: passaram a exibir a marca Superscore para manter a exposição de um negócio associado à antiga patrocinadora.
  • Corinthians: fechou acordo temporário com a Shopee até dezembro.
  • Santos: firmou parceria temporária com o Agibank.
  • Flamengo: fechou com a Lubrax.

Segundo Amir Somoggi, fundador da Sports Value, as casas de apostas pagam, em conjunto, de 500 milhões a 600 milhões de reais a mais em publicidade do que empresas de outros setores. Entre 2023 e 2025, o faturamento dos clubes com marketing cresceu 95%, alta que teria sido de apenas 25% sem os recursos das bets, aponta o especialista.

Especialistas criticam a condução da medida pelo governo federal. Carlos Lima, presidente do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável, aponta que a Premier League adotou um modelo bem-sucedido de transição ao estabelecer um prazo de três anos de adaptação para a retirada de anúncios de bets da parte frontal das camisas a partir da temporada 2026/2027.

Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/como-a-proibicao-das-bets-pelo-governo-lula-agrava-o-aperto-financeiro-dos-clubes-de-futebol/

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