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Economia

Próximo presidente do Brasil enfrentará alta dívida e juros

Relatório da Moody's aponta que o próximo presidente do Brasil lidará com dívida pública superior a 82% do PIB, juros altos e rigidez orçamentária.

Redação•07 de out. de 2026, 16:37
Próximo presidente do Brasil enfrentará alta dívida e juros
Imagem: site

Próximo presidente do Brasil enfrentará alta dívida e juros

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O próximo presidente da República assumirá o comando do país em um cenário de restrições para a condução de políticas econômicas, marcado por endividamento público elevado, taxas de juros altas e um Orçamento federal com mais de 90% das despesas engessadas por exigências legais. O panorama foi divulgado em relatório da agência de classificação de risco Moody's, que aponta a estabilização da dívida como o principal obstáculo fiscal da próxima gestão.

De acordo com a agência, a dívida bruta do governo geral ultrapassa atualmente 82% do Produto Interno Bruto (PIB), patamar superior aos cerca de 72% registrados no período da eleição presidencial de 2022. Projeções do Tesouro Nacional mencionadas pela Moody's indicam que o indicador chegará próximo de 86% do PIB em 2027, atingindo um pico de cerca de 88% em 2029 antes de iniciar uma trajetória gradual de queda.

Os encargos para financiar a máquina pública também cresceram. Conforme a avaliação, os gastos anuais com juros correspondem a aproximadamente 20% da receita do governo geral. Com o patamar elevado dos juros, a Moody's projeta que o déficit nominal se mantenha entre 8% e 9% do PIB, ao passo que o resultado primário permanece em patamar próximo de 0,5% negativo do PIB. Para equilibrar a relação entre dívida e PIB, a agência calcula que seria necessário um esforço fiscal que gerasse um superávit primário de 2% a 3% do PIB.

Desafios no Orçamento e articulação política

A complexidade fiscal é agravada pelo fato de que mais de 90% dos gastos do Orçamento federal são obrigatórios, o que diminui drasticamente a margem de manobra para cortes discricionários. Alterações estruturais nas regras de despesa dependem do aval do Congresso Nacional e, em algumas situações, de emendas constitucionais.

A Moody's destaca que a divisão política no Congresso continuará a impor barreiras para a aprovação de ajustes fiscais robustos, exigindo que o futuro governo articule forte apoio legislativo para modificar o rumo das contas públicas. A agência aponta que um comprometimento prévio com um programa de consolidação fiscal poderia abrandar o prêmio de risco do país, barateando empréstimos e estimulando investimentos e crédito para famílias e empresas.

Impactos sobre o setor corporativo e bancário

O ambiente de juros caros também recai sobre as empresas. A projeção da Moody's indica que o ritmo mais brando de crescimento e a renda disponível reduzida devem provocar uma queda superior a 3% no Ebitda agregado das companhias avaliadas pela agência em 2027. Negócios com endividamento atrelado a taxas flutuantes e fluxo de caixa negativo são classificados como os mais vulneráveis.

  • Cerca de um terço da dívida corporativa de empresas brasileiras com rating possui indexação a taxas flutuantes.
  • Os setores mais concentrados nessa modalidade incluem varejo, distribuição de combustíveis, aluguel de veículos e transporte.
  • Companhias altamente alavancadas podem precisar recorrer a alienação de ativos, repactuação de débitos e injeções de capital para honrar vencimentos futuros.

O sistema financeiro também sentirá reflexos. A Moody's aponta que juros elevados, encarecimento do crédito e menor capacidade de adimplência dos tomadores devem pressionar a rentabilidade e a qualidade dos ativos dos bancos. Entre os mais expostos estão as pequenas e médias empresas, que dispõem de alternativas restritas de captação no mercado de capitais.

Cenários eleitorais e investimentos em infraestrutura

Sobre as perspectivas políticas, a Moody's avalia que a eventual manutenção do governo de Luiz Inácio Lula da Silva tenderia a preservar o atual arcabouço fiscal, buscando a redução gradual do déficit por meio de crescimento econômico, reforço de receitas e maior eficiência de gastos. Por outro lado, no cenário de uma gestão liderada por Flávio Bolsonaro, a projeção aponta para uma direção focada na contração de despesas, diminuição da dívida e retração do papel do Estado na economia, embora a agência ressalte que faltam detalhes sobre a implementação prática de cortes.

No setor de infraestrutura, os investimentos enfrentam barreiras como o custo elevado de capital, gargalos de logística e transmissão de energia, complexidade tributária e regulatória, além de riscos climáticos extremos. Em contrapartida, a transição energética surge como frente de oportunidade: o Brasil gerou cerca de 87% de sua eletricidade em 2025 por meio de fontes renováveis e de baixa emissão. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), citada no relatório, projeta aportes de aproximadamente US$ 657 bilhões nos segmentos de geração, transmissão e distribuição de energia até 2034, cuja viabilidade dependerá de marcos regulatórios estáveis, previsibilidade e acesso a financiamento, visto que juros altos podem atrasar projetos e elevar a dependência de bancos públicos e multilaterais.

Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/proximo-presidente-herdara-divida-alta-juros-caros-e-pouco-espaco-para-cortar-gastos/

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