Fundado originariamente em maio de 2005 por políticos ligados à Igreja Universal do Reino de Deus — como o pastor Vitor Paulo e os bispos Marcelo Crivella e Carlos Rodrigues —, o Partido Municipalista Renovador mudou de nome meses depois para Partido Republicano Brasileiro (PRB), por sugestão do empresário José Alencar, vice-presidente nos dois primeiros governos Lula. Sob a presidência do bispo Marcos Pereira desde 2011, a sigla manteve perfil governista e atuou junto a gestões de Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro, figurando no Congresso como um partido médio integrado ao Centrão.
As urnas recentes trouxeram uma nova realidade para a legenda, que saiu mais poderosa e se posiciona para o jogo político a partir de 2027. O partido conquistou os governos de São Paulo, com a reeleição de Tarcísio de Freitas, e de Minas Gerais, com Cleitinho Azevedo, além do Mato Grosso, onde reelegeu Otaviano Pivetta. Com isso, administrará um terço do eleitorado brasileiro, fatia que pode aumentar caso vença os segundos turnos no Acre e no Espírito Santo — este último garantindo o comando de três dos quatro estados do Sudeste. Os redutos atuais representam um aumento de 46% no eleitorado sob sua jurisdição em comparação com 2022.
No Congresso, a bancada na Câmara manteve-se estável, passando de 42 para 41 deputados, enquanto outras siglas médias encolheram devido ao avanço do PL. No Senado, o partido contará com cinco nomes e atuará como aliado estratégico do PL, que possui 28 cadeiras. Entre os nomes da sigla no Senado estão Damares Alves (DF) e Hamilton Mourão (RS).
A afinidade ideológica abre caminho para que a legenda integre um eventual governo de Flávio Bolsonaro, caso ele seja eleito presidente. Nomes cogitados para ministérios incluem Daniella Marques, Pedro Lupion e o próprio Marcos Pereira, que adotou neutralidade no primeiro turno, mas aproximou o partido de Flávio e declarou apoio após o encerramento da votação.
A reaproximação com o PL, contudo, gera impasses, como a reeleição de Hugo Motta à presidência da Câmara. O partido de Motta busca preservar seu espaço e conta com apoio formalizado em nota assinada por líderes de PSD, Republicanos, MDB, Podemos, União Brasil, PP, PSDB, Cidadania, PRD e Solidariedade. Por outro lado, o PL planeja lançar candidatos próprios, como Altineu Côrtes e Sóstenes Cavalcante. O cientista político Marco Antonio Teixeira, da FGV, aponta que o apoio de Hugo Motta a Lula pode influenciar a postura do PL em relação à sua candidatura.
Questões internas também persistem. O líder Augusto Coutinho aponta que divergências estaduais continuam, e Teixeira observa que a aproximação com Flávio, articulada por Tarcísio de Freitas, não reflete uma alteração total da identidade partidária, dada a pluralidade de interesses regionais. A proximidade com o bolsonarismo também pode gerar desconforto com alas simpáticas ao petismo.
Enquanto o Republicanos ganhou relevância, outras legendas de centro-direita perderam espaço. O PSD, que lançou a candidatura presidencial de Ronaldo Caiado — obtendo 2,18% dos votos —, viu sua bancada na Câmara encolher e a representação no Senado cair de catorze para cinco parlamentares, além de perder os governos de Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul. Gilberto Kassab avaliou que a tentativa de criar uma via alternativa não rompeu a polarização, visto que o eleitorado associou o PL à mudança desejada.
