As eleições de meio de mandato (Midterms) nos Estados Unidos podem gerar desdobramentos significativos na política externa do país, afetando diretamente nações como Irã, Israel e Ucrânia após um revés eleitoral para o presidente Donald Trump.
Impactos e reações no Irã
O Irã celebrou o revés eleitoral dos republicanos, interpretando o resultado como um veredito público sobre a guerra, mas o país se prepara tanto para a possibilidade de novos ataques americanos quanto para uma nova tentativa de acordo diplomático. O próprio Donald Trump admitiu à Fox News que a guerra no Irã contribuiu para as derrotas do partido, enquanto o vice-presidente JD Vance afirmou em publicação no X que "a razão pela qual perdemos é a guerra". O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, também se manifestou na rede social sobre o conflito e as pressões internacionais.
Apesar da comemoração, o líder supremo Mojtaba Khamenei afirmou que quem acredita em uma mudança profunda na política americana está "profundamente enganado". Especialistas ouvidos apontam que Trump enfrenta o dilema entre buscar um acordo para preservar sua imagem ou duplicar a aposta militar. Antes da votação, o Irã ofereceu reabrir o Estreito de Ormuz em até dois dias mediante o atendimento de sete condições, e negociações com mediação do Catar avançaram na última semana.
Mudanças nas relações entre Estados Unidos e Israel
Em Israel, o anúncio de Trump sobre a interrupção abrupta da ajuda militar ao país causou surpresa, coincidindo com a conquista das duas Casas do Congresso pelos democratas. O ex-embaixador israelense Michael Oren apontou que o apoio bipartidário a Israel já vinha diminuindo devido ao número de mortes em Gaza e a avaliações de apoio excessivo por parte de Washington. Oren classificou o cenário atual como o "fim de uma era", alertando para possíveis reflexos futuros como o encerramento do compartilhamento de inteligência e do desenvolvimento conjunto do sistema de defesa aérea Iron Dome.
O ex-editor-chefe do Jerusalem Post, Yaakov Katz, também alertou nas redes sociais sobre o bloqueio de vendas de armas, propostas de sanções e perda de financiamento em programas econômicos conjuntos. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que recentemente perdeu a maioria no Parlamento em eleições locais, continua pressionando pela retomada dos ataques ao Irã, apesar das turbulências políticas internas e da pressão de opositores como Yair Golan.
Expectativa e cautela na Ucrânia
Na Ucrânia, o relacionamento com a administração de Trump vinha se deteriorando devido a exigências de substituição do presidente Volodymyr Zelensky, acordos energéticos favoráveis à Rússia e prejuízos não explicados na dependência ucraniana de tecnologia e inteligência dos EUA. Diante disso, Kiev adotou uma postura de urgência voltada a um cenário pós-Trump.
Embora um assessor do gabinete de Zelensky tenha afirmado que o país continuará buscando relações estáveis com quem estiver no poder e tentará obter interceptadores Patriot, autoridades ucranianas concluíram que não podem depender totalmente de Washington. Por outro lado, analistas avaliam que o presidente russo Vladimir Putin pode tentar intensificar seus esforços no campo de batalha nos próximos meses para obter o melhor resultado possível antes de eventuais mudanças políticas decorrentes da disputa eleitoral de 2028.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/midterms-reves-de-trump-pode-afetar-ira-israel-e-ucrania/
