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Economia

Risco-país da Argentina dispara 35% em um mês e gera alerta no mercado

O indicador de risco-país da Argentina alcançou 710 pontos após alta de 35% em um mês, pressionado por vencimentos de dívidas e cenário externo.

Redação•20 de out. de 2026, 12:31
Risco-país da Argentina dispara 35% em um mês e gera alerta no mercado
Imagem: site

Risco-país da Argentina dispara 35% em um mês e gera alerta no mercado

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A desconfiança dos investidores em relação à economia argentina voltou a crescer, impulsionada por uma nova rodada de vendas de títulos públicos no mercado internacional. Na terça-feira, 20, o índice de risco-país atingiu 710 pontos, o maior patamar desde outubro de 2025, após subir 35 pontos em relação ao fechamento anterior e completar oito pregões consecutivos de alta. Em apenas um mês, o avanço acumulado chegou a 35%.

A deterioração do indicador, calculado pelo JPMorgan, reflete a crescente cautela dos investidores com os papéis argentinos, que registram perdas de aproximadamente 6% no período. Na manhã de terça-feira, os títulos emitidos pelo governo em dólares exibiam queda média de 1,5% em Wall Street, enquanto alguns papéis de prazo mais longo acumulavam desvalorização superior a 7% em trinta dias. Essa alta expressiva eleva a diferença para 7,1 pontos percentuais entre os rendimentos considerados no cálculo em comparação com os títulos dos Estados Unidos.

O cenário impõe desafios adicionais à administração do presidente Javier Milei, que precisa garantir recursos para saldar dívidas bilionárias e lida com condições cada vez mais restritivas para obter financiamento externo. A principal apreensão do mercado recae sobre a capacidade do país de honrar os compromissos financeiros programados para 2027, período que exigirá o pagamento de títulos públicos e obrigações com o Fundo Monetário Internacional (FMI), em meio a um acesso limitado ao crédito internacional.

Um levantamento divulgado pelo jornal argentino La Nación aponta que as obrigações financeiras do próximo ano podem alcançar 29 bilhões de dólares, dependendo dos débitos considerados, enquanto estimativas mais restritas calculam vencimentos próximos de 21 bilhões de dólares.

Para o ministro da Economia, Luis Caputo, o principal desafio consiste em captar dólares suficientes para quitar tais débitos sem desencadear uma nova crise cambial. Uma das alternativas avaliadas seria a emissão de novos papéis no exterior para substituir os vencimentos próximos, estratégia conhecida como rolagem. Contudo, com a disparada do risco-país, a operação encarece, visto que os investidores exigem juros elevados para adquirir os papéis argentinos, dificultando a obtenção de novos empréstimos sustentáveis.

O governo sustenta que possui instrumentos financeiros para atravessar o próximo ano, mas o mercado mantém dúvidas quanto à disponibilidade efetiva desses recursos e à habilidade de utilizá-los para saldar os débitos.

Pressão externa e juros nos Estados Unidos

A volatilidade dos títulos argentinos também reflete fatores externos. A aceleração inflacionária nos Estados Unidos impulsionou as expectativas de novas elevações de juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano. Com retornos maiores oferecidos pelos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os investidores passam a exigir remunerações mais altas para arriscar aplicações em economias emergentes com fragilidades fiscais e reservas limitadas.

A Argentina, marcada por um histórico de crises na dívida pública e forte dependência de financiamento em moeda estrangeira, fica especialmente vulnerável a esse movimento global de aversão ao risco.

Relação com o FMI e reservas internacionais

A gestão dos compromissos externos também passa pela relação com o FMI, organismo do qual a Argentina é a maior devedora e onde enfrenta um cronograma de pagamentos estendido por décadas. Embora o Fundo elogie aspectos da política econômica de Milei, com ênfase no ajuste fiscal, o respaldo institucional não elimina os obstáculos de captação privada a custos mais baixos.

Para os investidores, o comportamento das reservas internacionais funcionará como termômetro principal da capacidade de pagamento do país. O acúmulo de dólares pelo Banco Central é visto como essencial para mitigar a vulnerabilidade cambial. A equipe econômica aposta no ingresso de divisas originadas de exportações, investimentos e operações financeiras para fortalecer essa base, embora o sucesso da estratégia continue atrelado ao comportamento da economia global e à manutenção do rigor fiscal.

Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/risco-pais-da-argentina-dispara-35-em-um-mes-e-poe-mercado-em-alerta/

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