O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, declarou nesta terça-feira (27) que o núcleo duro da campanha presidencial não foi informado sobre a viagem de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos. Marinho, que coordenou a campanha de Flávio ao Palácio do Planalto, afirmou estar surpreso com o ocorrido e que tomou conhecimento das movimentações por meio da imprensa.
Segundo Marinho, ele se encontrou com Flávio na tarde da última segunda-feira (27) para agradecer a votação obtida no segundo turno da disputa presidencial. O candidato do PL foi derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos.
“Nós não tivemos notícia ainda por parte do Flávio e advogados do que de fato aconteceu. Tentamos contactar o Flávio após as informações. Recebi uma mensagem de texto dizendo que iria dar um tempo hoje e depois conversaria conosco, por volta das 8h da manhã. Estamos surpresos porque conversamos ontem sobre a necessidade para que Flávio assumisse esse papel de liderança da oposição”, afirmou o senador.
A declaração ocorreu após uma reunião de emergência do PL convocada pelo presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, que reuniu lideranças estaduais para alinhar o discurso e definir os rumos do partido diante da saída de Flávio do país.
Reunião de emergência e críticas a medidas cautelares
Durante o pronunciamento, Rogério Marinho também comentou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de cancelar os passaportes do parlamentar logo após a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Uma coincidência que precisa ser analisada pela sociedade. Numa democracia é muito estranho que um candidato à Presidência da República, após a proclamação do resultado, seja objeto de medida cautelar, no inquérito em que o principal motivo caiu por terra, para a retenção dos seus passaportes. Me parece a preparação para uma coisa mais persecutória”, avaliou.
Viagem aos Estados Unidos
Flávio Bolsonaro desembarcou nos Estados Unidos nesta terça-feira (27) acompanhado da esposa e das filhas, conforme confirmação de fontes ligadas ao governo americano. O parlamentar repetiu o gesto de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que viajou ao território norte-americano após perder a eleição para Lula em 2022.
A partida ocorreu após Moraes determinar a entrega dos passaportes comum e diplomático à Polícia Federal. Relatos indicam que o senador demonstrou irritação com a medida e com o magistrado. Alvo de inquéritos no STF, o parlamentar temia uma prisão, embora aliados tenham o aconselhado a permanecer no país durante encontro realizado na segunda-feira (26) no escritório de um de seus advogados, no Lago Sul, em Brasília. A partir de fevereiro de 2027, Flávio ficará sem mandato pela primeira vez em 24 anos.
