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Trump ameaça suspender comércio com principais parceiros se Fed não reduzir juros

Donald Trump vinculou a política de juros à comercial, ameaçando suspender negócios com países parceiros caso o Federal Reserve não realize cortes nas taxas americanas.

Redação•04 de set. de 2026, 14:30
Trump ameaça suspender comércio com principais parceiros se Fed não reduzir juros
Imagem: site

Trump ameaça suspender comércio com principais parceiros se Fed não reduzir juros

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, subiu o tom contra o Federal Reserve (Fed) nesta sexta-feira (4), ameaçando interromper o comércio com países que mantêm superávit comercial com os americanos caso a autoridade monetária não promova uma redução nas taxas de juros. A declaração, feita por meio de sua rede social Truth Social, estabelece uma conexão inédita entre a política comercial externa e a condução da política de juros do banco central.

Pressão sobre o Federal Reserve

“Baixem os juros ou vou parar de negociar com os países com os quais temos déficit”, publicou Trump. O presidente argumentou que a interrupção das trocas comerciais seria uma medida preferível à adoção de tarifas e defendeu novamente que os Estados Unidos deveriam possuir uma das menores taxas de juros do mundo. A ameaça surge em um momento de divergência entre a Casa Branca e o Fed.

Poucas horas antes da postagem, dados do mercado de trabalho de agosto foram divulgados, revelando que as empresas americanas criaram 162 mil vagas no mês — mais que o dobro das 65 mil esperadas por economistas. A taxa de desemprego situou-se em 4%, e dados de meses anteriores foram revisados para cima; julho, que antes indicava perda de postos, agora mostra a criação de 21 mil vagas. Esse cenário de resiliência econômica reduz a urgência de estímulos monetários e mantém o Fed em alerta sobre a inflação, que permanece acima da meta de 2%.

Divergências com a autoridade monetária

A postura de Trump contrasta com as sinalizações recentes de Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve indicado pelo próprio governo. Em discurso em Jackson Hole no dia 28 de agosto, Warsh afirmou que a inflação ainda não apresentou melhora suficiente e que o Fed terá “trabalho a fazer” se os preços não convergirem para a meta. O índice PCE, referência do Fed, registrou 3,3% em julho. Para o mercado, as falas de Warsh indicam que novas altas de juros podem estar no radar, especialmente após o forte relatório de emprego, frustrando as expectativas de cortes imediatos defendidas pelo presidente.

O comércio como instrumento de pressão

Trump sustenta que os juros elevados prejudicam a competitividade americana. Sua estratégia visa utilizar o acesso ao mercado dos EUA como alavanca contra países que vendem mais do que compram da maior economia do mundo. Em 2025, o déficit comercial de bens atingiu o recorde de US$ 1,2 trilhão, sendo os maiores desequilíbrios registrados com a China (US$ 203 bilhões), México (US$ 197 bilhões) e Vietnã (US$ 178 bilhões).

Em julho deste ano, o déficit comercial de bens e serviços subiu 24% em relação ao mês anterior, chegando a US$ 89 bilhões, impulsionado por um crescimento de 2,8% nas importações e uma queda de 2% nas exportações. A ameaça de Trump atingiria parceiros cruciais e poderia desestruturar cadeias de produção dependentes de insumos estrangeiros.

Obstáculos jurídicos e riscos econômicos

Na publicação, o presidente citou uma decisão da Suprema Corte que supostamente lhe daria autoridade para interromper o comércio. No entanto, a decisão referida apenas restringiu o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para a criação de tarifas, reafirmando que essa é uma competência do Congresso. Não houve o estabelecimento de um direito geral para o presidente cessar o comércio por conta de déficits.

Além dos entraves legais, economistas alertam para os riscos de tal medida. A interrupção do comércio com países superavitários poderia elevar drasticamente os preços internos, já que muitos fornecem componentes industriais e bens essenciais. Isso geraria uma pressão inflacionária adicional, dificultando justamente o trabalho do Fed de controlar a inflação e estabilizar a economia. A próxima reunião do Federal Reserve, onde os novos dados de inflação serão analisados, está agendada para os dias 15 e 16 de setembro.

Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/trump-ameaca-suspender-comercio-com-principais-parceiros-se-fed-nao-reduzir-juros/

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