NewsHub
Política

TV Globo cancela debate presidencial pela primeira vez desde 2002

A TV Globo cancelou o debate presidencial desta quinta-feira (1º) após decisões judiciais alterarem regras de última hora, gerando insegurança jurídica.

Redação•02 de out. de 2026, 01:53
TV Globo cancela debate presidencial pela primeira vez desde 2002
Imagem: site

TV Globo cancela debate presidencial pela primeira vez desde 2002

Ouça esta matéria em voz alta

A TV Globo anunciou o cancelamento integral de seu debate presidencial antes do primeiro turno, marcando a primeira vez que isso acontece desde a criação da tradição pela emissora em 2002. A decisão foi divulgada nesta quinta-feira (1º), por volta das 20h30, a apenas uma hora do horário previsto para o início do evento, que contaria com a presença dos presidenciáveis Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo).

De acordo com nota oficial da emissora, o cancelamento ocorreu devido a sucessivas interferências do Judiciário nas regras previamente estabelecidas e acordadas com os partidos políticos. A Globo apontou que essas decisões geraram insegurança jurídica e feriram a liberdade de imprensa.

Intervenções judiciais apontadas pela emissora

O primeiro episódio citado aconteceu na terça-feira (29), quando o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, modificou o entendimento da corte sobre a contagem de parlamentares no Congresso, determinando que Romeu Zema teria o direito de participar do debate.

A segunda alteração ocorreu na quinta-feira, por meio de decisão da ministra Estela Aranha, do TSE. A magistrada proibiu a TV Globo de utilizar uma cadeira vazia no cenário para representar o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de vetar a concessão de tempo para perguntas direcionadas a quem não estivesse presente, estabelecendo multa em caso de descumprimento.

A Globo destacou em nota que a ata assinada por todas as legendas, incluindo o PT, determinava a manutenção de um púlpito vazio com placa de identificação em caso de ausência, além de uma rodada de tema livre onde os presentes poderiam formular perguntas de trinta segundos sobre o candidato ausente.

Pouco antes do início do evento, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, contrariou decisões anteriores de Cármen Lúcia e Kassio Nunes ao determinar a inclusão do candidato Renan Santos (Missão) no debate.

A emissora esclareceu que seguiu as regras definidas por lei e portaria do TSE, convidando inicialmente os candidatos de partidos com pelo menos cinco parlamentares no Congresso: Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Lula (PT).

Desistência de candidato e posicionamento final

Minutos antes do cancelamento definitivo, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) anunciou nas redes sociais que não compareceria ao evento, justificando sua decisão com base em uma suposta censura imposta pelo TSE e defendendo a liberdade de imprensa e eleições limpas.

Diante dos acontecimentos, a emissora declarou que sua longa tradição na organização de debates eleitorais visa promover a discussão de ideias e o confronto de projetos para o país. "Nosso dever é o de promover a democracia, mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais", concluiu a Globo ao justificar o fim do evento.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/globo-cancela-debate-presidencial-pela-1a-vez-desde-2002/

Compartilhar