O papa Leão XIV realizará uma exaustiva viagem de 12 dias pela América Latina, passando por Uruguai, Argentina e Peru. A maratona acontecerá entre 6 e 17 de novembro, abrangendo uma distância de cerca de 30.600 quilômetros, dez cidades, 14 voos programados (incluindo dois de helicóptero), 36 discursos e cerca de 50 eventos.
A viagem ocorre pouco mais de três semanas após o pontífice, de 71 anos, passar por uma cirurgia para remover um terço do pulmão direito devido a um câncer. O cirurgião Dr. Stefano Margaritora afirmou após o procedimento que não há razões clínicas para que a viagem não aconteça, e os médicos indicaram que ele não precisa de tratamento adicional.
Autoridades do Vaticano informaram que o papa contará com uma assistência médica habitual durante o percurso, incluindo médicos, enfermeiros e uma ambulância. Montse Alvarado, chefe de Comunicação do Vaticano, destacou a resistência física do pontífice e confirmou que ele manteve a viagem sem nenhuma alteração. O Dr. Matthew Triplette, pneumologista do Fred Hutchinson Cancer Center, em Seattle, apontou que o risco de uma emergência médica é baixo, mas mencionou a possibilidade de fadiga decorrente de esforços físicos e da menor disponibilidade de oxigênio em grandes altitudes, como em Cusco, na cidade peruana situada a mais de 3.350 metros acima do nível do mar.
A etapa no Peru marca um retorno para casa e um momento emocionante, já que o pontífice atuou como missionário e bispo por cerca de duas décadas no país, onde continua sendo cidadão peruano. Ele foi bispo de Chiclayo de 2015 a 2023 e retornará à cidade. Estima-se que cerca de 1,2 milhão de pessoas participem da missa de encerramento na Base Aérea Las Palmas, em Lima.
Na Argentina, a visita desperta grande interesse por ser o país natal do falecido papa Francisco, que nunca o visitou. Mais de um milhão de pessoas são esperadas para a missa em Buenos Aires. A programação de Leão na Argentina inclui uma visita a um presídio federal e uma parada em um centro de atendimento a pessoas com deficiências intelectuais e físicas em Claypole, afetado pelos cortes de gastos do presidente Javier Milei.
O Vaticano confirmou que o papa terá dois encontros com sobreviventes de abusos durante a viagem, sendo um na Argentina e outro no Peru.
