No primeiro turno das eleições de 2026, os votos de legenda somaram 10.702.467, representando o menor patamar da série histórica iniciada em 1998. Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que a escolha direta pelas legendas correspondeu a 4,73% dos 226.417.160 votos válidos contabilizados para os cargos de deputado federal, estadual e distrital, o menor índice entre as oito eleições analisadas.
Em comparação com o pleito de 2022, o total de votos de legenda registrou queda de quase 10%, mesmo com o aumento na quantidade de votos válidos. Frente a 1998, quando a modalidade alcançava 14,44% dos válidos, a redução chegou a 45,2%. O voto de legenda ocorre quando o eleitor digita apenas os dois dígitos do partido e confirma, sem selecionar um candidato, somando-se aos votos nominais para definir as cadeiras de cada partido ou federação.
Especialistas apontam múltiplos fatores para o desempenho. Juan Carlos Arruda, diretor-geral do Ranking dos Políticos, avalia que o cenário reflete uma política mais personalizada, impulsionada pelas redes sociais que facilitam o vínculo direto entre lideranças e o eleitorado. Ele cita os exemplos de Erika Hilton (Psol) e Nikolas Ferreira (PL) para ilustrar que o fenômeno atravessa diferentes correntes ideológicas.
Por sua vez, Sergio Simoni Junior, professor de Ciência Política da USP, pondera que os dados isolados não permitem mensurar o partidarismo ou os motivos dos eleitores. O pesquisador menciona estudos que indicam que parte dos votos de legenda pode decorrer de confusão no momento da votação na urna. Além disso, Simoni aponta que as regras de votação mínima individual, vigentes desde 2016, tornaram as estratégias de voto mais restritas, o que também pode influenciar a busca por candidatos específicos.
