O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia completa seis meses neste domingo (1º). Após mais de 25 anos de negociações iniciadas em 1999 e com os instrumentos assinados em 17 de janeiro de 2026, a aplicação provisória das regras comerciais teve início em 1º de maio deste ano. A parceria conecta dois mercados que somam cerca de 720 milhões de pessoas e possuem um Produto Interno Bruto (PIB) superior a US$ 22 trilhões.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), nos cinco primeiros meses de aplicação provisória, as exportações de diferentes setores da economia brasileira beneficiados pelo tratado avançaram 21% para a União Europeia. No agronegócio, o avanço em valor foi de 14,8%, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). As vendas brasileiras de produtos agropecuários e agroindustriais somaram US$ 12,21 bilhões entre maio e setembro de 2026, frente ao mesmo período de 2025.
O volume embarcado de produtos do agronegócio para os 27 países do bloco europeu alcançou 17,74 milhões de toneladas, registrando alta de 8,1% em relação aos mesmos meses de 2025. O crescimento foi impulsionado por segmentos como mel, carnes, soja e frutas, com destaque para grandes saltos percentuais no abacate e no óleo de milho.
Desempenho dos setores do agronegócio
Os dados divulgados pelo Ministério da Agricultura detalham o comportamento de diferentes segmentos entre maio e setembro de 2026 em comparação com igual período do ano anterior:
- Produtos apícolas (mel): Maior alta percentual entre os destaques, com crescimento de 367% em valor.
- Produtos oleaginosos (exceto soja): Avanço de 161% em valor.
- Carnes: Crescimento de 103,5% em valor e de 170% em volume, saltando de 101 mil toneladas para 272 mil toneladas.
- Complexo soja: Alta de 34,2% em valor, passando de US$ 3,12 bilhões para US$ 4,19 bilhões. Dentro do grupo, a soja em grãos cresceu 49% em valor e 35,1% em volume, enquanto o farelo de soja avançou 22,5% em valor e 10,6% em volume, mantendo o segmento como o principal grupo exportador do agro para a UE.
- Produtos florestais: Aumento de 23%, de US$ 1,2 bilhão para US$ 1,48 bilhão.
- Frutas, nozes e castanhas: Alta de 15%, passando de US$ 274 milhões para US$ 315 milhões.
- Demais produtos de origem animal: Crescimento de 55,5% em valor.
Destaques em produtos individuais
Entre os itens específicos, o abacate registrou forte expansão: as exportações saltaram de US$ 3,81 milhões entre maio e setembro de 2025 para US$ 19,87 milhões no mesmo período de 2026, representando uma alta de 421,2% em valor e 433,7% em volume. O óleo de milho bruto também se destacou com aumento de 266,3% em valor (de US$ 35,31 milhões para US$ 129,35 milhões) e alta de 205,8% em volume.
Outras frutas ampliaram o envio ao mercado europeu, como a manga (alta de 31,2% em valor e 23,6% em volume) e a maçã (avanço de 28,8% em valor e 33,7% em volume). No setor cafeeiro, o café torrado subiu 91,6% em valor e 116,5% em volume, enquanto o café solúvel cresceu 19% em valor e 38,2% em volume.
Redução de tarifas e exigências
A aplicação provisória iniciada em maio garantiu reduções tarifárias para determinados produtos agropecuários. Para o café torrado e o café solúvel, a redução é gradual com eliminação completa prevista para 2030. No caso do abacate, o primeiro corte foi de 20% da tarifa-base, com liberalização total também para 2030. O acordo contempla ainda o acesso para carnes bovina, suína e de aves, açúcar, etanol, arroz, mel, milho e sorgo, cujos benefícios podem estar atrelados a cotas de importação com limites de volume.
O tratado prevê a liberalização total ou parcial de cerca de 99% das exportações agrícolas brasileiras. No entanto, além de aproveitarem as condições tarifárias, os exportadores precisam atender a exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade impostas pela União Europeia, incluindo os requisitos do Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).
Balanço comercial do agronegócio
As importações brasileiras de produtos agropecuários e agroindustriais da União Europeia somaram US$ 1,67 bilhão entre maio e setembro de 2026, um acréscimo de 3,3% frente aos US$ 1,62 bilhão registrados no mesmo intervalo de 2025. Com isso, o superávit comercial do agronegócio brasileiro com o bloco europeu ampliou-se de US$ 9,01 bilhões para US$ 10,54 bilhões, alta de 17%.
O avanço das exportações também alcançou a indústria, beneficiando itens como ferrossilício-manganês, alumínio em bruto, óleos combustíveis, etanol e transformadores elétricos, cujas vendas passaram de zero para US$ 39 milhões no período avaliado.
