Uma interpretação maximalista da realidade sugere que a América Latina estaria se convertendo em um bloco de direita alinhado aos comandos de Donald Trump. O jornal The New York Times avaliou que uma vitória da direita no Brasil completaria o chamado "mapa latino-americano de Trump". Em relação aos planos do governo norte-americano, a publicação resume que a prioridade máxima é uma nova guerra contra as drogas, focada em enfrentar quadrilhas de narcotraficantes que minam as instituições com dinheiro fácil.
No entanto, aponta-se que o atual predomínio de governos de direita na região não constitui uma situação permanente. Desgastados pelo poder ou por equívocos próprios, muitos desses governantes podem perder nas urnas na próxima rodada, visto que vários contam com estruturas partidárias frágeis e adotam posturas associadas ao folclore político latino-americano.
Entre os exemplos citados estão Javier Milei, que contratou uma médium para se conectar com seu cachorro morto; Nayib Bukele, conhecido por usar fortes camadas de maquiagem e jaquetões com galões dourados em grandes cerimônias; e Alfredo de la Espriella, que apareceu em uma cerimônia com corpos de guerrilheiros em sacos brancos no chão e uma pistola na cintura.
O caso que concentra maior atenção é o de Javier Milei, devido ao seu estilo heterodoxo e ao entusiasmo por princípios libertários. Há expectativa sobre uma possível derrota na eleição presidencial de outubro do ano seguinte para um candidato peronista, caso o partido-movimento supere suas divergências internas. Dados da consultoria CB Global Data indicam que Milei possui 36,1% de aprovação, figurando em posição desconfortável — atrás apenas de líderes de esquerda como Daniel Ortega (Nicarágua, 35,7%), Yamandú Orsi (Uruguai, 35,2%), Delcy Rodríguez (Venezuela, 32,2%) e Bernardo Arévalo (Guatemala, 31%).
Com exceção de Daniel Ortega, a maioria dos governantes de esquerda ou direita passará pelo teste das urnas. A alternância de poder é apontada como o principal remédio contra a ressaca eleitoral, reforçada pela definição de tirano descrita pelo escritor paraguaio Augusto Roa Bastos.
Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/mundialista/relaxem-em-quatro-anos-muda/
