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Economia

Banco Central avalia interromper cortes da Selic após reeleição de Lula

Comitê de Política Monetária define a taxa Selic nesta quarta-feira em meio a incertezas fiscais e pressões inflacionárias.

Redação•04 de nov. de 2026, 01:30
Banco Central avalia interromper cortes da Selic após reeleição de Lula
Imagem: site

Banco Central avalia interromper cortes da Selic após reeleição de Lula

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O Banco Central reúne-se nesta quarta-feira (4) no âmbito do Comitê de Política Monetária (Copom) para definir a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic. O cenário é considerado desafiador por analistas diante da deterioração nas projeções para a inflação e das incertezas em torno da política fiscal do próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A projeção predominante no mercado financeiro aponta para a interrupção do ciclo de flexibilização monetária, com a manutenção da Selic em 13,75% ao ano. No entanto, uma parcela dos especialistas ainda não descarta totalmente a possibilidade de uma última redução de 0,25 ponto percentual, o que levaria a taxa a 13,50% ao ano.

As dúvidas em relação à condução das contas públicas ganharam evidência após o resultado do segundo turno das eleições. O Ibovespa, principal índice da B3, fechou a semana de 30 de outubro com queda de 18,12%, configurando a quinta maior desvalorização semanal desde o início do Plano Real. No mesmo período, as companhias listadas acumularam uma perda de R$ 963 bilhões em valor de mercado, montante equivalente a 1,31 vez a capitalização da Petrobras, estimada em R$ 734 bilhões, conforme dados da Elos Ayta.

Contas públicas e percepção de risco

O nervosismo dos investidores está atrelado ao patamar da dívida pública. Nos 12 meses encerrados em setembro, o setor público consolidou um déficit nominal de R$ 1,28 trilhão. A dívida bruta alcançou 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 11,1 trilhões, ante 71,7% do PIB registrados em dezembro de 2022.

Especialistas apontam que o crescimento da dívida eleva a percepção de risco e faz com que os investidores exijam remunerações maiores para adquirir títulos públicos, impulsionando os juros futuros e pressionando a cotação do dólar. Nos 12 meses até setembro, os encargos financeiros pagos pelo setor público somaram R$ 1,205 trilhão, enquanto o déficit primário ficou em R$ 70,1 bilhões.

Embora o Governo Central tenha reportado um superávit primário de R$ 4,84 bilhões em setembro — revertendo o déficit de R$ 14,4 bilhões de setembro de 2025 —, analistas ponderam que o resultado foi impulsionado por fatores não recorrentes, como o cancelamento de R$ 12,8 bilhões em precatórios. Sem essa medida extraordinária, o saldo teria sido negativo em cerca de R$ 8 bilhões.

  • Gustavo Gomes (AVIN): Aponta que o dado de setembro tem caráter não recorrente e não sinaliza a estratégia fiscal de longo prazo.
  • André Braz (FGV IBRE): Defende que o mercado necessita de um ajuste estrutural permanente, com revisão de gastos obrigatórios e cumprimento das metas fiscais.
  • Juliana Daitx (Unicred Porto Alegre): Explica que a dinâmica entre dívida elevada e juros altos alimenta um ciclo complexo de exigência de prêmios maiores por parte do mercado.

Projeções inflacionárias e atividade econômica

O Itaú BBA projeta que a decisão desta quarta-feira será unânime pela manutenção da taxa em 13,75% ao ano. O banco elevou sua estimativa para o IPCA de 5,1% para 5,2% em 2026 e de 4,6% para 6,1% em 2027, além de prever que a inflação monitorada pelo modelo do Banco Central para o segundo trimestre de 2028 subirá de 3,2% para 3,4%.

O ambiente externo desfavorável, marcado por juros altos em economias desenvolvidas e pressões nos preços do petróleo, soma-se a um cenário interno de mercado de trabalho resiliente e inflação pressionada, mesmo com a desaceleração da atividade econômica.

Por outro lado, analistas como Jeferson Bittencourt, do ASA, ponderam que o arrefecimento da atividade e as projeções de inflação ainda próximas da meta no horizonte relevante poderiam justificar um último corte residual. Contudo, a depreciação do câmbio e a abertura dos prêmios de risco elevaram a probabilidade de manutenção.

Impacto no crédito de famílias e empresas

Enquanto o debate fiscal e monetário prossegue, os juros elevados já geram reflexos na ponta final. O Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central indicou que o sistema bancário permanece capitalizado e com liquidez adequada, mas apontou que o comprometimento da renda das famílias com dívidas atingiu o nível mais alto em 21 anos.

O avanço da inadimplência e das operações problemáticas tem feito com que as instituições financeiras restrinjam a concessão de novos empréstimos e encareçam o crédito, dificultando a reorganização financeira de consumidores e empresas.

Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/11/04/selic-por-que-o-banco-central-pode-parar-de-cortar-juros-apos-a-reeleicao-de-lula.ghtml

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