O empresário paraguaio Miguel Vázquez, de 36 anos, foi preso preventivamente nesta semana após o colapso do Ueno Bank. Conhecido por cultivar uma imagem associada a empresas de tecnologia e por sua paixão por carros de luxo e competições de triatlo, o banqueiro tinha planos de transformar a instituição no primeiro unicórnio do Paraguai e levar uma empresa à Bolsa de Nova York.
A sede do Ueno Bank em Assunção, apelidada de The Matrix, exibia paredes de vidro, madeira polida, obras de arte indígena e mordomos na ala executiva. A trajetória de Vázquez está ligada a negócios familiares: seu avô materno era dono de uma concessionária Mercedes-Benz e sua avó paterna vendia alimentos em uma banca de mercado, onde seu pai iniciou pequenos empréstimos que originaram a Credicentro, base do futuro Ueno Bank. Vázquez assumiu a direção da empresa familiar em 2014, após estudar finanças sem concluir graduações.
A transformação da Credicentro em Ueno Bank ocorreu em 2023. O crescimento acelerado atraiu cerca de 3 milhões de clientes e investimentos estrangeiros, como a aquisição de 10% da holding controladora pelo OTP Bank, da Hungria, avaliando o grupo em cerca de US$ 470 milhões em junho. O Grupo Vázquez, que englobava pecuária e comércio eletrônico, empregava cerca de 6.000 pessoas e registrou receitas superiores a US$ 100 milhões em 2025.
O banco também investiu em patrocínios esportivos, incluindo a seleção paraguaia de futebol em 2025. O zagueiro Gustavo Gómez, capitão do Palmeiras e da seleção, divulgou um comunicado afirmando que os jogadores também foram afetados pelo bloqueio das contas e compartilham a indignação das famílias que perderam o acesso às economias.
A expansão coincidiu com a aproximação com o poder político. O presidente Santiago Peña investiu em uma das empresas de Vázquez entre 2019 e 2025, e os depósitos públicos no Ueno saltaram de menos de US$ 100 milhões no início de 2024 para mais de US$ 800 milhões, concentrando cerca de 20% dos depósitos do governo paraguaio. Peña nega irregularidades. Carlos Carvallo, que presidia o Banco Central do Paraguai e tinha ligações anteriores com a instituição de Vázquez, deixou o cargo após a intervenção. A crise política levou Peña a apresentar renúncia e enfrentar um processo de impeachment, permanecendo no cargo até sexta-feira (6) enquanto o Senado discutia sua situação.
Em 2 de novembro, o Banco Central decretou a resolução do Ueno Bank devido a problemas graves de solvência e irregularidades financeiras. Vázquez se apresentou voluntariamente à polícia com advogados e foi transferido na sexta-feira (6) para o Centro Nacional de Prevenidos, na antiga penitenciária de Tacumbú, em Assunção. Ele é investigado por administração desleal, tentativa de fraude, irregularidades contábeis e operações financeiras. O advogado Víctor Dante Gulino afirmou à imprensa local que buscava esclarecimentos sobre as acusações.
