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Economia

Ibovespa despenca, dólar sobe e mercado financeiro reage após eleições

Após o segundo turno das eleições, o Ibovespa caiu, o dólar subiu e a tensão aumentou entre o mercado financeiro e o governo reeleito.

Redação•06 de nov. de 2026, 07:30
Ibovespa despenca, dólar sobe e mercado financeiro reage após eleições
Imagem: site

Ibovespa despenca, dólar sobe e mercado financeiro reage após eleições

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A guerra política continua após o encerramento da eleição, intensificada pela falta de definição em torno da política econômica. No primeiro pregão após o segundo turno, o Ibovespa registrou queda de 13,9%, enquanto o dólar subiu de 4,97 para 5,38 reais e a taxa do DI para janeiro de 2031 passou de 12,64% para 15,24%.

Nove dias mais tarde, a bolsa operava 5% abaixo daquele patamar, o dólar encerrou cotado a 5,45 reais e o DI de 2031 ficou em 14,99%, mantendo-se 2,35 pontos acima do patamar da véspera do pleito. O patamar atual de juros e câmbio representa o prêmio exigido pelo mercado para financiar o Estado. A reação gerou aumento no ressentimento por parte do governo reeleito, fazendo com que mercado e Planalto passassem a atuar como adversários.

Aguarda-se um pronunciamento de Lula, com expectativa de que ele declare ter executado o maior ajuste fiscal da história, expandido programas sociais e se manifeste disposto a repetir o feito. Até o momento, contudo, entre promessas de equilíbrio e declarações duras direcionadas ao mercado, nenhuma medida concreta foi adotada. O chamado ao entendimento ainda não ocorreu, dando lugar à saída de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos e às turbulências nos mercados. Enquanto isso, o STF adota o silêncio e ganha tempo, ao passo que os bastidores movimentam-se em torno da disputa pela presidência do Senado.

Empresários que apoiaram a campanha de Flávio enfrentarão o distanciamento do governo. No PT, existem setores favoráveis à manutenção da mobilização digital nos moldes de André Janones. Embora aprofundar a polarização tenha gerado votos, a governabilidade exige uma postura direcionada a todo o país, compreendendo a parcela que votou contra Lula. O valor de cada votação no Congresso depende da aprovação governamental e do custo do dinheiro, sendo que, diante de alta desaprovação e de juros e inflação elevados, o espaço fiscal encolhe. A confiança consolidou-se como o ativo mais caro do Estado brasileiro, com o custo do ajuste elevando-se diariamente sem um sinal fiscal crível.

Na quarta-feira 4, o Copom paralisou o ciclo de cortes e manteve a taxa Selic em 13,75%. A taxa de juros reflete o risco inflacionário e a confiança na política fiscal. Reduzir a Selic por vontade política não produz efeitos práticos, visto que a concessão de crédito pelos bancos baseia-se na confiança. Com o risco fiscal elevado, o spread aumenta, as exigências de garantias se tornam mais rígidas e o crédito diminui, gerando o risco de que projetos fiquem no papel e empresas adiem investimentos e contratações.

O quarto mandato tem início formal em janeiro, mas para o mercado financeiro as atividades já se iniciaram, tendo o tempo medido por meio do câmbio, do mercado acionário e dos juros futuros.

Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/murillo-de-aragao/o-pregao-o-palanque-e-o-poder/

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