O adiamento da votação sobre a redução da maioridade penal no Congresso Nacional tem gerado preocupação e desconforto entre os aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A pauta, que integrou os compromissos assumidos durante a campanha eleitoral, foi retirada de pauta pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, após diálogo com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. A intenção é aguardar que a análise do tema ocorra primeiramente na Câmara.
De acordo com o colunista de VEJA Robson Bonin, em declarações feitas no programa VEJA em Foco apresentado por Marcela Rahal, a condução em torno do tema expõe os desafios do governo federal em transformar promessas de campanha em ações práticas. Durante a discussão que envolveu a tramitação da PEC da Segurança Pública — aprovada no Senado sem a inclusão da alteração na idade penal —, o jornalista classificou a situação ao afirmar: “Parece estelionato eleitoral”.
Bonin avalia que o compromisso foi adotado pelo chefe do Executivo durante o segundo turno da disputa presidencial, momento em que enfrentava Flávio Bolsonaro, mas o governo não apresentou o empenho necessário para impulsionar o avanço da matéria no Legislativo. O colunista destacou que a ausência de manifestações públicas e de articulação do presidente para mobilizar os senadores governistas eleva o desgaste político, visto que Lula não atuou para incentivar a aprovação da bandeira que defendeu anteriormente.
Apesar de o adiamento não representar o abandono definitivo da proposta, o cenário indica que o governo precisará reavaliar a condução do debate e gerenciar a forma como a medida será apresentada à sociedade. Para Bonin, a dificuldade em avançar com o tema em um momento de reorganização governamental, com novas negociações parlamentares e reestruturações ministeriais, evidencia que promessas tratadas como simples durante a corrida eleitoral revelam-se complexas de executar.
