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Benjamin Netanyahu: trajetória, conflitos e disputas políticas em Israel

Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu disputa a reeleição em meio a histórico político, acusações de corrupção e desdobramentos da guerra em Gaza.

Redação•27 de out. de 2026, 06:30
Benjamin Netanyahu: trajetória, conflitos e disputas políticas em Israel
Imagem: site

Benjamin Netanyahu: trajetória, conflitos e disputas políticas em Israel

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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, busca se manter no poder nas eleições marcadas para 27 de outubro. Com passagens pelo governo em diferentes períodos desde 1996, ele se consolidou como uma das figuras mais duradouras e influentes da política israelense, estruturando sua trajetória em torno de um discurso focado na segurança nacional e no combate ao terrorismo. Ao longo dos anos, sua gestão também esteve no centro de controvérsias relacionadas à política palestina, a reformas no sistema judicial e a investigações criminais por corrupção.

Origem e carreira militar

Nascido em 21 de outubro de 1949, em Tel Aviv, Netanyahu cresceu em Jerusalém e viveu parte de sua adolescência nos Estados Unidos. Retornou a Israel em 1967 para cumprir o serviço militar nas Forças de Defesa de Israel, integrando a unidade de elite Sayeret Matkal. Participou de operações especiais, como o resgate de reféns de um avião da companhia aérea belga Sabena em 1972. Voltou à ativa durante a Guerra do Yom Kippur, em 1973, sendo promovido a capitão da reserva.

Posteriormente, estudou no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), onde se formou em arquitetura e obteve mestrado em administração de empresas, além de cursar ciência política no MIT e em Harvard. Entre 1976 e 1982, atuou no setor privado na consultoria Boston Consulting Group e na empresa Rim Industries. Nos anos 70, fundou o Instituto Yonatan — nomeado em homenagem ao seu irmão, morto em uma operação de resgate em Uganda —, organização voltada ao estudo e combate ao terrorismo.

Diplomacia e ascensão no Likud

A carreira pública de Netanyahu ganhou projeção na década de 1980, quando atuou como vice-chefe da missão diplomática de Israel em Washington (1982-1984) e embaixador nas Nações Unidas (1984-1988). Eleito para o Knesset em 1988 pelo partido Likud, assumiu o cargo de vice-ministro das Relações Exteriores. Em 1993, tornou-se presidente do Likud e líder da oposição, defendendo posições de linha-dura em segurança e a privatização de estatais.

Netanyahu venceu as eleições para primeiro-ministro em 1996 com 50,49% dos votos contra Shimon Peres. Seu primeiro mandato incluiu a assinatura do Protocolo de Hebron (1997) e do Memorando de Wye River (1998). Enfrentando divergências internas na coalizão e dificuldades orçamentárias, perdeu o pleito de 1999 para Ehud Barak.

Retorno ao poder e governos de longa duração

Retornou ao governo em 2002 como ministro das Relações Exteriores e, posteriormente, assumiu o Ministério das Finanças, cargo do qual renunciou em agosto de 2005 em protesto contra a retirada de assentamentos israelenses de Gaza promovida por Ariel Sharon. De volta à liderança do Likud, formou uma coalizão após as eleições de 2009 e reassumiu o posto de primeiro-ministro, permanecendo no cargo até 2021.

Durante esse longo período, centrou sua política externa na oposição ao programa nuclear do Irã, defendendo sanções internacionais e firmando um acordo histórico de assistência militar de US$ 38 bilhões com os Estados Unidos no governo de Barack Obama. Em setembro de 2020, assinou os Acordos de Abraão, normalizando relações com Emirados Árabes Unidos e Bahrein.

Instabilidade política, queda e retorno

Após eleições inconclusivas em 2020, Netanyahu e Benny Gantz formaram um governo de emergência que colapsou no final daquele ano devido a impasses orçamentários. Em junho de 2021, Naftali Bennett assumiu o cargo de premiê. Contudo, após a antecipação de eleições em 2022, Netanyahu articulou uma nova coalizão e tomou posse novamente em 29 de dezembro de 2022.

Reforma judicial e protestos

De volta ao cargo, o governo avançou com propostas para alterar o equilíbrio entre os poderes e limitar a atuação da Suprema Corte, gerando fortes protestos populares. Em julho de 2023, o Knesset aprovou medidas sobre o princípio da razoabilidade, embora parte central da legislação tenha sido derrubada pela Suprema Corte em janeiro de 2024.

Os ataques de 7 de outubro e a guerra em Gaza

Em 7 de outubro de 2023, o Hamas realizou um ataque contra Israel que resultou em 1.200 mortes e na captura de 251 reféns. Netanyahu declarou estado de guerra e iniciou uma ampla ofensiva militar em Gaza. O conflito provocou destruição e uma grave crise humanitária. Dados do Ministério da Saúde de Gaza apontam que o conflito deixou ao menos 74 mil mortos e 173.514 feridos até junho de 2026. Em 2026, uma comissão independente da ONU afirmou que autoridades israelenses cometeram crimes de guerra e genocídio, alegações rejeitadas por Israel, que classificou o relatório como difamatório.

Em novembro de 2024, o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu mandados de prisão contra Netanyahu e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant, apontando responsabilidade por crimes como o uso da fome como método de guerra, assassinato e perseguição.

Investigações por corrupção

Netanyahu também enfrenta acusações criminais em Israel iniciadas em investigações de 2017. Em novembro de 2019, foi formalmente acusado de suborno, fraude e quebra de confiança em três casos, incluindo o Caso 4000, que apura supostos benefícios regulatórios a um empresário em troca de cobertura midiática favorável. Netanyahu negou as irregularidades e classificou as acusações como perseguição política.

Eleições e principais rivais

O pleito atual ocorre em meio a um sistema parlamentar fragmentado. Pesquisas preveem dificuldades para Netanyahu, que enfrenta o crescimento de rivais como o ex-chefe militar Gadi Eisenkot, além dos ex-primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid, e do ex-ministro da Defesa Avigdor Lieberman.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/quem-e-benjamin-netanyahu-candidato-a-reeleicao-em-israel/

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