Os eleitores israelenses comparecem às urnas nesta terça-feira (27) em um pleito considerado decisivo para a sobrevivência política do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. A votação ocorre após o período mais turbulento na história do país desde sua fundação em 1948, marcado pelo trauma dos ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, pelas guerras em Gaza e contra o Irã, além do isolamento internacional crescente de Israel.
As seções eleitorais abriram às 7h no horário local (2h no horário de Brasília) com comparecimento constante durante a manhã, e o encerramento está programado para as 22h (17h em Brasília). As pesquisas de opinião indicam uma disputa acirrada entre o partido Likud, de Netanyahu, e seus aliados de direita, frente a uma aliança rival liderada por Gadi Eisenkot — ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, defensor de linha dura em segurança e que atrai apoiadores da direita e do centro.
Campanha marcada por mensagens alarmistas
Nos últimos dias de campanha, Netanyahu divulgou publicações alarmistas que geraram debates e críticas. No domingo, o primeiro-ministro compartilhou nas redes sociais uma imagem gerada por inteligência artificial que exibia uma bomba atômica caindo sobre Tel Aviv, acompanhada do alerta de que um Irã nuclear representa uma ameaça existencial real para Israel. Na postagem, ele citou o comentarista de direita Yuval Bloomberg.
A mensagem gerou contradições com declarações anteriores do próprio premiê. Ao término da guerra de 12 dias contra o Irã em junho de 2025, Netanyahu havia afirmado que Israel eliminara a ameaça existencial das armas nucleares e mísseis balísticos iranianos. Em março de 2026, durante ofensiva conjunta de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, ele declarou que o país inimigo já não podia ameaçar a existência israelense.
A atitude foi duramente criticada por opositores. Gadi Eisenkot, presidente do partido Yashar, condenou o material e acusou o premiê de recorrer à histeria, mentiras e disseminação do medo, além de ameaçar os cidadãos com destruição em massa após falhar em objetivos da guerra contra o Irã. Yair Golan, líder do partido de esquerda Democratas, afirmou nas redes sociais que o primeiro-ministro e seu entorno perderam o controle diante do aumento da pressão.
Propostas econômicas e críticas do Banco de Israel
Outra polêmica envolveu uma entrevista concedida por Netanyahu no fim de semana ao Channel 10, focada na economia e na onda de sanções internacionais contra assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada. Na ocasião, o primeiro-ministro declarou que Israel deveria se preparar para possíveis sanções ao seu sistema bancário, sugerindo o desenvolvimento de uma economia capaz de contorná-las por meio de alternativas como criptomoedas e blockchain.
A declaração atraiu críticas severas de economistas e motivou uma manifestação pública e rara do Banco de Israel, que rejeitou a proposta ao afirmar que as criptomoedas não podem servir como meio para driblar sanções. Adversários políticos apontaram a fala como um indicativo de que o premiê aceita a possibilidade de isolamento econômico para o país.
