O presidente de Israel, Isaac Herzog, compareceu a uma seção eleitoral localizada em Jerusalém durante a manhã desta terça-feira (27) para registrar seu voto nas eleições parlamentares do país. O pleito ocorre após um dos momentos mais turbulentos da história israelense desde a sua fundação em 1948, marcado pelo impacto dos ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, pela ofensiva militar subsequente em Gaza e por divisões internas em torno das diretrizes do governo de direita liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Após votar, Herzog destacou a importância do processo democrático. “Michal e eu estamos muito orgulhosos de estar aqui hoje, enquanto milhões de israelenses vão às urnas votar e tomar seus destinos em suas próprias mãos em uma democracia verdadeira, orgulhosa e digna”, declarou o presidente. Em seguida, ele acrescentou: “Esta é a história de Israel, um país incrível e uma nação incrível indo votar e decidindo qual é o nosso futuro e para onde estamos caminhando.”
De acordo com o Comitê Central Eleitoral de Israel, cerca de 7,3 milhões de eleitores estão aptos a participar da votação em aproximadamente 12 mil seções espalhadas pelo território. O voto não é obrigatório para cidadãos maiores de 18 anos. Os locais de votação abriram às 7h no horário local (2h no horário de Brasília) e o encerramento está programado para as 22h (17h em Brasília). Esta é a primeira oportunidade desde 1988 em que uma legislatura cumpre integralmente seu mandato sem dissolução antecipada.
Contexto e concorrentes
As pesquisas indicam uma disputa acirrada entre o partido Likud, de Benjamin Netanyahu, aliado a outras siglas de direita, e uma aliança opositora encabeçada por Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas. Eisenkot adota uma postura de linha-dura na área de segurança e atrai eleitores tanto da centro-direita quanto do centro.
A disputa também envolve outros nomes de peso da política israelense:
- Gadi Eisenkot: Ex-chefe militar que perdeu um filho na Faixa de Gaza, apresentando-se como uma figura de fora da política tradicional, com origens humildes e histórico familiar que contrapõem o longo tempo de Netanyahu no poder e as acusações de corrupção contra o premiê.
- Naftali Bennett e Yair Lapid: Ex-premiês que lideraram uma aliança em 2021 capaz de afastar Netanyahu do poder por meio de um governo de coalizão de 18 meses, que uniu liberais, conservadores e um partido árabe islâmico.
- Avigdor Lieberman: Ex-ministro da Defesa e antigo aliado de Netanyahu, que rompeu com o governo em 2018 acusando o premiê de brandura com combatentes palestinos em Gaza, tornando-se um severo crítico.
Como funciona o sistema eleitoral israelense
Israel adota o sistema parlamentarista, separando as funções de chefe de Estado, exercidas pelo presidente com atribuições cerimoniais e formais (cargo de Isaac Herzog), e de chefe de governo, comandada pelo primeiro-ministro (posição de Benjamin Netanyahu). Os rumos do país são definidos por um gabinete ministerial originado no parlamento e encabeçado pelo premiê.
O parlamento do país, conhecido como Knesset, é composto por 120 membros unicamerais eleitos quadrienalmente. Os cidadãos votam nos candidatos ao parlamento, e cabe aos parlamentares a escolha do primeiro-ministro. Para obter representação, as legendas precisam atingir a cláusula de barreira de 3,25% dos votos. Como nenhuma agremiação alcançou isoladamente os 61 assentos necessários para maioria absoluta, os governos costumam ser formados por meio de coalizões, frequentemente caracterizadas pela instabilidade. O processo de votação utiliza cédulas de papel.
