A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gerou forte reação negativa no mercado financeiro nesta segunda-feira (26). O cenário foi marcado pela disparada do dólar e por uma queda acentuada na bolsa brasileira, o que levou a B3 a acionar o circuit breaker, mecanismo utilizado para interromper temporariamente as negociações e conter quedas bruscas.
Segundo informações divulgadas pela B3, as operações de ações, fundos imobiliários, ETFs e outros ativos ficaram suspensas por 30 minutos. A medida também impactou negociações com opções e títulos específicos de renda fixa privada. A bolsa informou que a retomada das atividades ocorreu por meio de um leilão realizado entre 10h30 e 10h35, período em que os investidores puderam cancelar ofertas que não estivessem participando de leilões.
Como funciona o mecanismo
O circuit breaker é acionado para dar tempo aos investidores de reavaliarem suas decisões e para diminuir riscos de ordens desordenadas de compra e venda durante crises financeiras:
- Queda de 10%: O Ibovespa interrompe as negociações por 30 minutos.
- Queda de 15%: Caso a desvalorização continue e atinja 15% em relação ao fechamento anterior, uma nova suspensão de uma hora é aplicada.
- Queda de 20%: Se o índice alcançar 20% de baixa após a paralisação de uma hora, a bolsa define a duração de uma nova suspensão e comunica o mercado.
O regulamento prevê que os negócios não podem ser interrompidos na última meia hora do pregão. Caso o mecanismo seja acionado na penúltima meia hora, o horário de negociação pode ser prorrogado em até 30 minutos para assegurar ao menos meia hora de funcionamento após a reabertura.
Histórico de acionamentos
A ferramenta foi utilizada em momentos marcantes da economia nacional e internacional:
- Março de 2020: Acionado em meio à turbulência do início da pandemia de Covid-19 e oscilações internacionais.
- Maio de 2017: Negociações suspensas por 30 minutos após o Ibovespa cair mais de 10% devido a denúncias contra o então presidente Michel Temer.
- 2008: Utilizado diversas vezes durante a crise financeira internacional, com quedas expressivas e interrupções em outubro daquele ano.
- 1999 e 1998: Acionado em janeiro de 1999 devido a temores sobre a mudança no câmbio flutuante, e cinco vezes em 1998 por causa da crise financeira russa.
- 1997: Utilizado pela primeira vez no Brasil em 28 de outubro, em meio à crise financeira asiática, repetindo-se outras duas vezes naquele ano.
O levantamento da B3 também lembra episódios de fortes quedas sem o acionamento formal do circuit breaker, como em 11 de setembro de 2001, quando os ataques às Torres Gêmeas provocaram recuo de 9,17% no índice e encerramento antecipado das operações na Bovespa.
