Enquanto diversas lideranças mundiais, tanto da esquerda quanto da direita, parabenizaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela vitória nas eleições realizadas no domingo, 25, a postura de silêncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou a atenção. Antes do resultado, Trump manteve neutralidade e afirmou aos jornalistas apenas que "estava observando" a disputa, sem declarar apoio a Lula ou ao senador Flávio Bolsonaro (PL). No primeiro turno, o mandatário norte-americano adotou tom semelhante, dizendo que acompanhava a corrida de perto.
Essa postura difere da de outros pleitos na América Latina, onde Trump manifestou apoio explícito a nomes da direita e extrema direita, como Abelardo de la Espriella (Colômbia), Javier Milei (Argentina), Nasry Asfura (Honduras), Nayib Bukele (El Salvador) e Daniel Noboa (Equador). Contudo, antes do início da campanha oficial, o governo dos EUA impôs tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros, justificando que as negociações comerciais com a gestão Lula fracassaram e chamando o líder brasileiro de "egoísta". Além disso, Trump recebeu Flávio Bolsonaro na Casa Branca, encontro após o qual classificou o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras, pauta defendida pelo senador e criticada pelo petista por riscos à soberania nacional.
Entre os políticos democratas americanos, as reações foram precoces. O deputado Joaquín Castro parabenizou os brasileiros pela participação democrática. O senador Bernie Sanders, que encontrou Lula em Nova York em setembro, definiu a reeleição como "extraordinária", e o governador da Califórnia, Gavin Newsom, declarou orgulho de estar ao lado do Brasil em defesa da democracia e do meio ambiente.
Por outro lado, o advogado de Trump, Martin de Luca, questionou o pleito ao indagar se o domingo marcou a transformação de Lula em Nicolas Maduro, alertando sobre um suposto roubo nas eleições e afirmando que "ninguém reconheceria" o resultado. A postagem foi compartilhada por Elon Musk, dono da rede social X, com a reação "Uou", além de Donald Trump Jr., filho mais velho do presidente dos EUA.
Na semana anterior, a Casa Branca evitou se comprometer com o reconhecimento do pleito brasileiro, respondendo a questionamentos de congressistas democratas que enviaram cartas cobrando o Departamento de Estado e seu chefe, Marco Rubio, sobre suspeitas de interferência americana. Na última quinta-feira, o Departamento de Estado declarou que os Estados Unidos apoiam o direito do povo brasileiro a um processo livre e justo, e que continuarão dialogando com a sociedade, o setor privado e o governo eleito para promover segurança, comércio, investimentos e prosperidade.
