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Economia

Brasil registra recordes de ocupação e inadimplência

Taxa de desemprego fica em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, enquanto população ocupada atinge 103,5 milhões. Inadimplência sobe para 5%.

Redação•29 de set. de 2026, 15:25
Brasil registra recordes de ocupação e inadimplência
Imagem: site

Brasil registra recordes de ocupação e inadimplência

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O Brasil apresenta um cenário econômico marcado por contrastes. Enquanto o mercado de trabalho mantém taxas de desemprego nas mínimas históricas e rendimento em alta, as famílias enfrentam orçamentos restritos e maior endividamento. Indicadores divulgados nesta terça-feira (29) mostram o avanço simultâneo da população ocupada e da inadimplência no país.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego no Brasil fechou o trimestre encerrado em agosto em 5,3%. O patamar representa uma queda de 0,3 ponto percentual em relação ao trimestre encerrado em maio e ao mesmo período de 2025, quando a taxa estava em 5,6%. O total de pessoas desocupadas no período somou 5,8 milhões.

Em contrapartida, a população ocupada atingiu 103,5 milhões de pessoas, alcançando o maior nível da série histórica do IBGE. O montante representa um crescimento de 0,8% no trimestre, com mais 774 mil trabalhadores, e alta de 1% no ano, somando 1,1 milhão de novos postos. O nível de ocupação situou-se em 58,9%.

Entre os principais destaques do levantamento do IBGE para o período estão:

  • População desocupada: 5,8 milhões de pessoas
  • População ocupada: 103,5 milhões
  • População fora da força de trabalho: 66,4 milhões
  • População desalentada: 2,4 milhões
  • Empregados com carteira assinada (sem domésticos): 39,5 milhões
  • Empregados sem carteira assinada: 13,7 milhões
  • Trabalhadores por conta própria: 26,1 milhões

Inadimplência recorde

Paralelamente aos dados de emprego, o Banco Central (BC) informou que a taxa média de inadimplência nas operações de crédito avançou para 5% em agosto, subindo em relação aos 4,9% registrados em julho. O índice é o maior patamar desde o início da série histórica da instituição, em março de 2011, e considera operações com mais de 90 dias de atraso de pessoas físicas e empresas.

No recorte por público, a inadimplência das pessoas físicas subiu de 5,8% em julho para 6% em agosto, estabelecendo o patamar mais alto da série histórica. No segmento corporativo, o indicador permaneceu estável em 3,3% no mês passado, o maior patamar desde outubro de 2017, quando registrou 3,4%.

Para economistas consultados, embora o mercado de trabalho ajude a sustentar a renda e o consumo, a permanência de juros altos por um período prolongado desacelera a atividade econômica e encarece o crédito, impulsionando a inadimplência.

O economista do ASA Investimentos, Leonardo Costa, aponta que o desemprego permanece baixo e estável, mas pondera que o ritmo de criação de vagas perdeu força. Segundo ele, a sequência de quedas da massa salarial exige monitoramento por configurar um cenário menos favorável ao consumo das famílias.

O IBGE também apontou que o crescimento recente da ocupação ficou concentrado em setores específicos, como construção e indústria, enquanto os demais permaneceram estáveis. Para a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, a combinação de desemprego baixo com expansão restrita a poucos setores sinaliza perda de fôlego no mercado de trabalho. Ela explica que o mercado de trabalho reage com atraso à desaceleração e que os efeitos do aperto monetário aparecem inicialmente no ritmo de contratações.

Contas públicas

Na mesma data, o Tesouro Nacional divulgou o resultado das contas do governo, que registraram um déficit primário de R$ 13,58 bilhões em agosto. O resultado indica que as receitas ficaram abaixo das despesas, sem computar os juros da dívida pública. O montante representa uma melhora frente ao déficit de R$ 16,2 bilhões (corrigido pela inflação) verificado em agosto do ano passado, além de ser o melhor desempenho para o mês desde 2021, quando o déficit primário foi de R$ 11,8 bilhões em valores corrigidos.

Analistas avaliam que a solidez das contas públicas é um fator essencial para conferir margem ao BC na redução mais rápida da taxa básica de juros (Selic), desde que a inflação se mantenha controlada. Os indícios de desaquecimento econômico e perda de vigor do mercado de trabalho alimentam expectativas de novos cortes na taxa, embora especialistas reforcem a necessidade de cautela e gradualismo na condução da política monetária diante de um cenário ainda incerto.

Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/09/29/ocupacao-inadimplencia.ghtml

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