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Economia

Juros altos e inflação ameaçam caixa de empresas até 2027, diz Moody's

Relatório da Moody's aponta que juros elevados, endividamento e inflação pressionarão o caixa das empresas brasileiras até 2027.

Redação•29 de set. de 2026, 13:42
Juros altos e inflação ameaçam caixa de empresas até 2027, diz Moody's
Imagem: site

Juros altos e inflação ameaçam caixa de empresas até 2027, diz Moody's

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As companhias brasileiras devem enfrentar um cenário de pressão contínua até 2027 devido aos juros elevados, ao encarecimento do crédito e à desaceleração econômica. A avaliação consta em relatório divulgado na terça-feira, 29, pela Moody’s.

De acordo com a agência de classificação de risco, a geração de resultado das empresas no país deve registrar uma queda superior a 3% em 2027. Na prática, o panorama indica uma redução de recursos disponíveis para a quitação de débitos, realização de investimentos e distribuição de dividendos aos acionistas.

Impacto do crédito e endividamento

O principal fator apontado é o custo do crédito. Com taxas de juros elevadas, as corporações elevam seus gastos operacionais e desembolsam quantias maiores no momento de renovar empréstimos ou substituir dívidas antigas. O cenário afeta especialmente organizações com vencimentos de débitos previstos para os próximos anos.

A Moody’s aponta que companhias com obrigações a vencer até 2028 provavelmente precisarão buscar novos empréstimos, realizar emissões de títulos no mercado nacional ou recorrer a fontes alternativas para refinanciar seus compromissos. O espaço para reduzir o endividamento rapidamente ou obter novos aportes de capital será limitado.

O ritmo mais lento de crescimento econômico, acompanhado por uma expansão menor do Produto Interno Bruto (PIB) e pela renda das famílias pressionada, também dificulta a ampliação de vendas para compensar a alta despesa.

Combustíveis, transporte e setores específicos

O encarecimento nos custos de transporte e logística representa outra preocupação para atividades dependentes de combustíveis e matérias-primas. O encarecimento do petróleo impacta diretamente segmentos como aviação, transporte e indústria química. Embora essas empresas consigam repassar parte da alta aos consumidores, a transferência nem sempre neutraliza a pressão sobre as margens de lucro.

  • Petrobras: A Moody’s identifica um risco adicional associado à política de preços dos combustíveis, elevando a exposição da estatal a decisões governamentais, enquanto reajustes limitados reduzem os ganhos potenciais com o petróleo caro.
  • Siderurgia: As siderúrgicas brasileiras enfrentam pressão até 2027 impulsionada pela concorrência de itens importados, com ênfase no aço da China.

Riscos climáticos e o fenômeno El Niño

Os fatores climáticos também integram os riscos apontados pela agência. Um El Niño de forte intensidade pode deprimir o volume de água nos reservatórios hidrelétricos, encarecendo a geração de energia e elevando as contas de luz dos consumidores caso haja maior dependência de termelétricas.

O agronegócio pode sofrer impactos com eventuais quebras de safras em culturas como soja, milho, trigo, café e cana-de-açúcar. Uma oferta menor de grãos, por sua vez, tende a encarecer a produção de carnes, uma vez que milho e soja servem de insumo para a alimentação de aves e suínos.

Diante desse ambiente adverso composto por crédito custoso, atividade econômica lenta, insumos caros e riscos climáticos, a Moody’s destaca que o impacto varia conforme a saúde financeira de cada organização. O principal desafio para as mais endividadas será gerenciar a renovação de débitos sem elevar excessivamente os custos financeiros até o final de 2027.

Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/juros-altos-dividas-e-inflacao-ameacam-caixa-das-empresas-brasileiras-ate-2027-diz-moodys/

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