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Call of Duty aborda conflito entre Coreias e gera debate político

Lançamento de Call of Duty simula conflito entre Coreias, gera debate na política sul-coreana e movimenta discussões sobre liberdade criativa.

Redação•26 de out. de 2026, 17:30
Call of Duty aborda conflito entre Coreias e gera debate político
Imagem: site

Call of Duty aborda conflito entre Coreias e gera debate político

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O lançamento do videogame Call of Duty: Modern Warfare 4 gerou repercussão na Assembleia Nacional sul-coreana ao retratar uma guerra fictícia entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte. Desenvolvido pelo estúdio americano Infinity Ward e lançado mundialmente na sexta-feira passada, dia 23, o título coloca o jogador na pele de um jovem soldado sul-coreano que combate forças do Norte ao lado de aliados.

A trama simula uma invasão em larga escala na Coreia do Sul, englobando batalhas por toda a península e confrontos urbanos em Seul. O enredo também aborda turbulências políticas na liderança norte-coreana, incluindo a morte fictícia do líder do país e um ataque a um complexo comparado ao quartel-general da liderança do Norte, o que repercutiu nas redes sociais.

Durante a auditoria anual do Parlamento na sexta-feira passada, 23, o ministro da Cultura, Choi Hwi-young, defendeu que jogos e filmes configuram formas de expressão criativa amparadas pela Constituição. Conforme o jornal The Korea Herald, o ministro declarou que o governo é impedido de suprimir obras por motivos políticos e enfatizou: “Os jogos não estão sujeitos à censura prévia”.

O enredo do jogo motivou críticas de parlamentares da oposição direcionadas à política do presidente Lee Jae Myung em relação à Coreia do Norte, visto que o mandatário tem defendido a retomada do diálogo com o país vizinho desde a sua posse. Os conservadores e ex-ministros Han Dong-hoon e o deputado Ahn Cheol-soo, ambos do Partido do Poder Popular, recomendaram que o presidente jogue o título como forma de questionar a preparação militar nacional e a postura governamental frente ao Norte.

O debate ocorre em um contexto onde os dois países permanecem tecnicamente em guerra, visto que a Guerra da Coreia, ocorrida entre 1950 e 1953, foi encerrada apenas por um armistício e não por um tratado de paz.

A discussão sobre liberdade criativa também gerou paralelo com o suspense histórico sul-coreano Assassin(s), lançado no mês anterior, que retrata o assassinato da então primeira-dama Yuk Young-soo em 1974 e sofreu críticas de conservadores por sugerir um possível envolvimento da inteligência nacional.

Parlamentares conservadores pontuaram que a liberdade artística concedida ao cinema precisa ser estendida aos videogames. A deputada Park Soo-young, do Partido do Poder Popular, manifestou no Facebook que defensores da ficção no cinema devem aplicar o mesmo critério ao jogo. Seu correligionário Joo Jin-woo declarou em entrevista no YouTube que a simulação de um conflito futuro e hipotético respeita os limites da liberdade criativa.

Em contrapartida, o deputado governista Kim Han-kyu, integrante do Partido Democrático da Coreia, questionou em vídeo nas redes sociais o motivo de controvérsias em torno da aquisição do jogo, argumentando que produções do tipo não merecem regulamentação caso cumpram a lei. O parlamentar ainda apontou que cenários locais familiares atraem o público e acrescentou: “Considerando que tecnicamente ainda estamos sob um armistício, seria mais estranho se não houvesse simulações de uma guerra contra a Coreia do Norte”.

Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/giro-pelo-oriente/call-of-duty-mostra-nova-guerra-entre-as-coreias-e-provoca-debate-politico/

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