Líderes de diferentes nações da América do Sul manifestaram-se sobre a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto figuras como Donald Trump, Javier Milei e Benjamin Netanyahu optaram pelo silêncio. A repercussão e os impactos do resultado no cenário político regional foram avaliados pelo analista sênior de Internacional da CNN, Américo Martins, durante o programa Live CNN.
Entre as reações sul-americanas, Abelardo De La Espriella, presidente da Colômbia, reconheceu o triunfo de Lula. Apesar de declarar ter profundas diferenças políticas com o presidente reeleito, ele afirmou que a vontade do povo deve ser respeitada e que Brasil e Colômbia precisam um do outro. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, também utilizou as redes sociais para parabenizar o petista com a mensagem de que a democracia venceu.
O presidente chileno, José Antonio Kast, de direita, relatou ter telefonado para cumprimentar Lula, ressaltando que Chile e Brasil compartilham um futuro em comum focado na integração econômica e no combate ao crime organizado. O presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, destacou em contato com o colega brasileiro a importância do processo eleitoral como uma festa democrática. Keiko Fujimori, presidente do Peru, e Daniel Noboa, presidente do Equador, também figuraram entre os líderes que felicitaram o Brasil.
O silêncio diplomático de Trump, Milei e Netanyahu
Em contrapartida, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o presidente da Argentina, Javier Milei, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, não emitiram manifestações públicas sobre o pleito. Para Américo Martins, o silêncio na diplomacia tem forte significado. O analista pontuou que dois desses líderes apoiaram abertamente Flávio Bolsonaro (PL) durante a campanha, e que Trump chegou a elogiar o desempenho de Flávio no primeiro turno.
Segundo a análise, a ausência de posicionamento por parte de Milei pode indicar um prenúncio de novos ataques. Em resposta, a tática adotada pelo governo brasileiro tem sido preservar a institucionalidade nas relações com a Argentina, buscando isolar o atrito pessoal entre os mandatários. O levantamento também mencionou que Javier Milei chegou a reunir sua equipe na Casa Rosada sem se manifestar sobre a vitória.
Equilíbrio continental e desafios com os EUA
O analista sênior destacou que, embora o continente tenha registrado uma onda direitista com sete vitórias de conservadores nos últimos anos, as três maiores economias regionais — desconsiderando os Estados Unidos — seguem sob a gestão de governos de centro-esquerda ou liberais: Lula no Brasil, Claudia Sheinbaum no México e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney. Para o especialista, a recondução de Lula freia parcialmente essa tendência conservadora.
No tocante à política externa, a relação com os EUA é tratada pelo governo brasileiro como o grande desafio do novo mandato. A avaliação interna aponta a possibilidade de estreitar laços diretamente com Trump por meio de ofertas de comércio e acesso a minerais críticos. Por outro lado, o Departamento de Estado, liderado por Marco Rubio, é visto como uma oposição interna influente, fator que provavelmente motiva a cautela e a ausência de manifestações da administração norte-americana.
