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Calor extremo causa mais de 500 mil mortes anuais no mundo

Relatório internacional publicado na revista The Lancet aponta que o calor extremo está associado a mais de 500 mil mortes anuais no mundo.

Redação•28 de out. de 2026, 14:31
Calor extremo causa mais de 500 mil mortes anuais no mundo
Imagem: site

Calor extremo causa mais de 500 mil mortes anuais no mundo

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Um relatório internacional divulgado nesta terça-feira (27) revela que o calor esteve ligado, em média, a 540.800 óbitos anuais entre 2016 e 2023 em todo o planeta. Desse total, 68,4%, correspondentes a 369.940 mortes, foram associados diretamente às mudanças climáticas impulsionadas pela ação humana. O levantamento foi produzido pela Lancet Countdown, iniciativa focada no monitoramento das transformações climáticas e da saúde global, e veiculado na revista The Lancet, reunindo dados desde 2016 a partir de 400 referências de estudos internacionais.

De acordo com o estudo, as nações com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) concentram as maiores proporções de falecimentos relacionados ao aquecimento. A análise aponta ainda que os últimos 11 anos constituem o período mais quente já documentado na história recente.

As ondas de calor também aparecem com frequência atreladas a secas severas, que colocam em risco a segurança alimentar. Em 2025, as estiagens abrangeram 51,8% da superfície terrestre global. Paralelamente, houve crescimento na frequência de dias com precipitações intensas, atingindo 17,2% da superfície da Terra por ano entre 2016 e 2025, elevando o perigo de inundações e deslizamentos de solo.

Cientistas estimam que o fenômeno El Niño — apontado como um dos mais rigorosos das últimas décadas, com início no segundo semestre de 2026 e projeção de término no início de 2027 — intensifique de forma contínua a saúde pública mundial. Conforme o relatório, o cenário transformou as alterações climáticas em uma emergência global de saúde, exigindo correção urgente de rumo para proteger a sobrevivência humana. O documento destaca que o calor excessivo e a umidade também favorecem a proliferação do mosquito aedes aegypti, vetor responsável pela transmissão de enfermidades como a dengue.

Impacto econômico e projeções futuras

Os reflexos na saúde influenciaram a economia mundial. Em 2025, a exposição ao calor gerou a perda de 573 bilhões de horas potenciais de trabalho, gerando prejuízos avaliados em US$ 1,07 trilhão.

Previsões meteorológicas apontam que a temperatura global deve alcançar o limite crítico de 1,5 °C em 2030, ultrapassando a meta estabelecida pelo Acordo de Paris de 2015 de conter o aquecimento global abaixo desse patamar em relação ao período pré-industrial. Para evitar esse agravamento, a Organização das Nações Unidas (ONU) aponta a necessidade de cortes de 18% nas emissões de gases do efeito estufa até 2030 e de 45% até 2035, além de ampliar a remoção de gás carbônico.

Apesar de avanços pontuais na transição para energias limpas — que evitaram cerca de 400.000 mortes em 2023 em comparação com 2016 devido à melhoria na qualidade do ar interno —, as medidas adotadas globalmente ainda são consideradas insuficientes pelos especialistas para conter os danos climáticos sobre a saúde da população.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/ciencia/calor-extremo-causa-mais-de-500-mil-mortes-por-ano-em-todo-o-mundo-aponta-relatorio-internacional/

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