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Comissão do Lancet defende emergência de saúde global para o clima

Relatório da comissão Lancet Countdown aponta alta nos danos à saúde e exige classificação da crise climática como emergência global.

Redação•28 de out. de 2026, 08:30
Comissão do Lancet defende emergência de saúde global para o clima
Imagem: site

Comissão do Lancet defende emergência de saúde global para o clima

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A comissão Lancet Countdown sobre Saúde e Mudanças Climáticas publicou seu décimo relatório na noite de terça-feira, 27, recomendando que a crise climática passe a ser tratada como uma emergência de saúde global. O documento aponta que o ritmo das consequências para o bem-estar humano está superando a resposta internacional, impulsionado pelo crescimento acelerado dos danos decorrentes da desregulação do clima.

Entre os dados apresentados pelos autores estão o aumento de 36% nas mortes ligadas ao calor na última década e episódios de seca que prejudicam a segurança alimentar. O grupo de especialistas destacou que os impactos foram mais expressivos no intervalo de 2016 a 2025 do que entre 2006 e 2015, período que sucede a criação da coalizão após o Acordo de Paris, firmado em 2015 na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP). O pacto estabeleceu a meta de limitar o aquecimento global a 1,5 °C ou mantê-lo abaixo de 2 °C.

Somente em 2023, o mundo contabilizou um recorde de 710 000 óbitos por calor, com 70% associados ao caos climático provocado por ações humanas. Além disso, análises via satélite revelam que, desde 2023, 80% das áreas terrestres globais sofrem alterações nos padrões de água subterrânea — afetando saneamento e segurança alimentar —, um problema observado tanto em períodos de seca quanto nas temporadas úmidas.

Declarações e priorização da saúde

Marina Romanello, diretora-executiva do Lancet Countdown, sediado na Universidade College London (UCL), na Inglaterra, afirmou em comunicado: “Uma década após o Acordo de Paris, nossas conclusões são inequívocas: os danos à saúde causados ​​pelas mudanças climáticas estão aumentando mais rapidamente do que a resposta global a eles e, em muitos casos, até mesmo se acelerando”.

Os pesquisadores defendem que as decisões climáticas coloquem a saúde como prioridade, integrando os impactos sanitários a indicadores de redução de gases do efeito estufa e financiamentos. O documento aponta sinais de mobilização, como a adesão de 56 dos 194 Estados-membros da Organização Mundial da Saúde (OMS) a planos nacionais para adaptar os serviços de saúde.

Investimentos e avanços

O relatório também reconhece pontos positivos, como o avanço de 7,2% nos investimentos globais em energia limpa no ano passado, alcançando o recorde de 2,1 trilhões de dólares — montante 82% superior aos 1,16 trilhão de dólares direcionados a combustíveis fósseis. Em 77 países onde a poluição do ar por combustíveis fósseis diminuiu desde 2016, foram evitadas 323 000 mortes anuais.

Anthony Costello, copresidente do Lancet Countdown, declarou: “Uma década depois, temos provas de que a ação climática centrada na saúde funciona: ar mais limpo, sistemas de saúde mais resilientes e sistemas de alerta estão protegendo a saúde e salvando vidas em todo o mundo. Mas o ritmo e a escala da redução de emissões ainda estão totalmente desproporcionais ao ritmo e à escala dos danos”.

Fonte: https://veja.abril.com.br/saude/comissao-do-lancet-pede-que-mudancas-climaticas-sejam-classificadas-como-emergencia-de-saude-global/

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