Um surto de gripe aviária em uma fazenda de criação de visons para produção de peles em Utah, nos Estados Unidos, tem gerado preocupação entre especialistas em saúde. A cepa do vírus, que se espalhou por granjas americanas e rebanhos leiteiros nos últimos anos, foi identificada em visons na fazenda C&T Fenn Farms há mais de dois meses.
Especialistas em gripe apontam que os visons possuem pulmões e vias aéreas anatomicamente semelhantes aos dos humanos, o que, somado à alta circulação do vírus entre os animais, cria um cenário propício para mutações. Cientistas alertam que uma única alteração genética poderia permitir que o vírus infecte humanos de forma eficiente, aumentando o risco de uma pandemia.
Apesar da gravidade apontada por pesquisadores, autoridades estaduais e federais não ordenaram o abate dos animais — medida adotada em outros países como Espanha e Finlândia —, limitando-se a uma ordem verbal para que a fazenda não movimente visons, esterco ou carcaças. A veterinária estadual Amanda Price afirmou que a prioridade foi gerenciar o impacto sobre o proprietário, Chad Fenn, e que não há evidências de disseminação fora do local.
Investigações e registros públicos revelam que o estado de Utah evitou monitorar ativamente a saúde dos trabalhadores da fazenda para não prejudicar a relação com os produtores rurais. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) recomenda testes e monitoramento de sintomas, mas, na prática, os funcionários não têm sido acompanhados de forma proativa pelas autoridades locais.
O proprietário da fazenda relatou que os animais são alimentados com órgãos crus de animais, incluindo carne bovina, prática que pode ter contribuído para a infecção. Embora autoridades de saúde afirmem que, até o momento, os humanos não conseguem transmitir essa cepa de gripe aviária e que dados genômicos iniciais não mostraram mutações preocupantes, especialistas reforçam que a circulação contínua do vírus em mamíferos aumenta os riscos de evolução viral.
