Em busca do cumprimento das metas estabelecidas pelo marco legal do saneamento básico, a Corsan (Companhia Riograndense de Saneamento) superou a marca de R$ 300 milhões em investimentos desde que foi privatizada, em julho de 2023. A legislação determina que o país alcance, até 31 de dezembro de 2033, a cobertura de 99% da população com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto.
Recentemente, a companhia inaugurou uma nova Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) no município de Iraí, localizado no norte gaúcho, com um aporte de R$ 3,6 milhões. Com capacidade para tratar 864 mil litros de esgoto diariamente, a nova unidade faz parte de um grupo de 20 obras finalizadas pela empresa desde a desestatização, contemplando 18 municípios. O montante totaliza 12 estações construídas do zero, além de duas ampliações e seis modernizações voltadas para diminuir o lançamento de resíduos sem tratamento em rios, arroios e lagoas. Somente em Iraí, considerando as redes coletoras e estruturas adicionais, os recursos aplicados ultrapassam R$ 9,6 milhões neste ano.
Controlada pela Aegea, a Corsan projeta encerrar o ano de 2026 com um total de R$ 1,6 bilhão investidos. Em agosto, a CEO da companhia, Samanta Takimi, defendeu a união de esforços com o governo para ampliar a cobertura e atender às exigências do marco legal, assegurando que os índices serão alcançados em todos os 317 municípios atendidos pela empresa.
“Conhecemos o desafio, mas estamos trabalhando com todas as nossas forças para que a universalização seja alcançada de forma completa em 2033. E completa não apenas do ponto de vista da infraestrutura, mas também da resiliência”, declarou Samanta Takimi.
Dados do Instituto Trata Brasil apontam que o Rio Grande do Sul coleta somente 34,7% do esgoto gerado e trata cerca de 25,4% desse volume, apesar de ocupar a quinta posição no ranking nacional de geração de riqueza. Para reverter o quadro e cumprir as metas, a empresa estima um processo de R$ 21 bilhões para triplicar a cobertura atual.
Quando assumiu a antiga estatal, a Corsan constatou que 257 dos 317 municípios atendidos não possuíam cobertura de esgotamento sanitário, exigindo a expansão tanto das redes coletoras quanto da capacidade de tratamento. Em declaração à CNN, a CEO destacou a urgência do trabalho:
“Estamos enfrentando um atraso de décadas com investimentos, planejamento e capacidade de execução. Cada estação entregue significa mais esgoto tratado, menos poluição nos mananciais e melhores condições de saúde para a população”, afirmou.
