O Banco Central manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano nesta quarta-feira, interrompendo uma sequência de cinco cortes consecutivos e gerando reações divididas entre aliados do governo Lula. A decisão, tomada em reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), foi vista como uma contradição, pois o presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, foi indicado pelo próprio PT.
Deputados federais do partido reagiram com críticas, acusando o mercado financeiro de influenciar a política econômica. Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que a decisão foi motivada pela vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro, enquanto Gleisi Hoffmann (PT-PR) acusou investidores de ter apoiado Bolsonaro e reagido ao resultado eleitoral.
O Copom justificou a manutenção dos juros com a deterioração das expectativas inflacionárias, a volatilidade cambial e o aumento das incertezas. A projeção de inflação para 2027 foi revisada para 4,7%, acima do teto de tolerância de 4,5%, e para 2026, para 5,6%.
Setores empresariais também criticaram a decisão, com a CNI considerando-a excessivamente conservadora e a Fiesp defendendo reduções em dezembro. A Força Sindical classificou a interrupção do ciclo de cortes como prejudicial aos trabalhadores.
O desafio para o governo será apresentar uma orientação fiscal capaz de reduzir a percepção de risco e permitir a retomada da flexibilização monetária, sem gerar novas tensões políticas.
Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/o-recado-do-banco-central-que-lula-nao-queria-receber/
