O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registrou um crescimento expressivo em suas plataformas digitais, alcançando mais de 8 milhões de novos seguidores, embora tenha sido derrotado pelo presidente Lula na eleição realizada no último domingo.
Em junho, período em que passou a promover seu programa de governo, o parlamentar contabilizava 18,6 milhões de seguidores distribuídos entre Instagram, YouTube, X e Facebook. Recentemente, o montante subiu para 26,9 milhões. O avanço ocorreu de forma destacada no Instagram, onde o público passou de 10,6 milhões para 17 milhões, e no Facebook, que saltou de 3,5 milhões para 5,1 milhões de seguidores.
Algumas publicações do senador alcançaram alto engajamento, superando a marca de 6 milhões de visualizações. As redes sociais funcionaram como o principal canal para a divulgação dos temas centrais de sua campanha eleitoral.
Especialistas alertam, contudo, que a relevância digital conquistada pode se converter em uma ferramenta prejudicial. O estrategista político Marcelo Senise, que preside o Instituto Brasileiro para a Regulamentação da Inteligência Artificial, aponta que a ampla capacidade de comunicação do senador pode gerar efeitos adversos, inclusive afastando apoiadores e aliados conforme o contexto.
Senise avalia que a estrutura online poderia ter sido aproveitada para articular o PL nacionalmente — legenda que conquistou 28 vagas no Senado e 121 na Câmara dos Deputados. Segundo o estrategista, faltou alinhamento interno com a direita no Congresso, citando como exemplo o episódio em que Flávio se autoproclamou presidente da República, repercutindo negativamente até mesmo na base aliada.
Para o especialista, ampliar a base digital exige cautela para evitar postagens de teor autodestrutivo, a exemplo da carta com teor golpista divulgada pelo senador após sua ida para os Estados Unidos, realizada na última terça-feira. Senise aponta que volumes elevados de seguidores elevam a vulnerabilidade a danos reputacionais, caracterizando a conduta como um possível prejuízo à imagem pública.
Levantamento conduzido por Senise indicou que 74% dos usuários da internet expressaram rejeição à carta mencionada. O texto foi corrigido posteriormente, mas a repercussão negativa já havia se consolidado. Conforme a avaliação, a recepção desfavorável ultrapassou o grupo de apoiadores mais fervorosos.
