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Slopaganda: IA vira arma eleitoral nos EUA com mais de US$ 137 milhões

A inteligência artificial ganhou forte espaço nas eleições dos EUA, movimentando mais de US$ 137 milhões em propagandas políticas conhecidas como slopaganda.

Redação•31 de out. de 2026, 06:30
Slopaganda: IA vira arma eleitoral nos EUA com mais de US$ 137 milhões
Imagem: site

Slopaganda: IA vira arma eleitoral nos EUA com mais de US$ 137 milhões

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Com a aproximação das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, a inteligência artificial tem ganhado espaço na propaganda eleitoral e alimentado preocupações sobre a propagação de informações falsas. Pesquisadores definem a prática como slopaganda, um termo que une propaganda política e conteúdos de baixa qualidade produzidos por inteligência artificial.

A prática é adotada por democratas e republicanos, mas candidatos e grupos vinculados ao Partido Republicano, do presidente Donald Trump, concentram a maior parte dos investimentos neste ano. Entre os exemplos está um vídeo produzido por uma organização ligada ao senador republicano Ted Cruz, do Texas, focado no candidato democrata ao Senado por Michigan, Abdul El-Sayed. O material utiliza imagens geradas por IA para associar o candidato a frases extremistas e exibe uma foto de família gerada artificialmente.

Dados do Wesleyan Media Project, que monitora os gastos com publicidade eleitoral no país, apontam que mais de US$ 137 milhões (cerca de R$ 753,4 milhões) foram investidos na veiculação desses anúncios. Em 2024, os gastos com essa modalidade somavam apenas US$ 50 mil (R$ 274 mil). O levantamento identificou 220 anúncios políticos gerados por inteligência artificial, embora os pesquisadores estimem que o volume real seja superior.

Do total identificado, quase 81% foram financiados por candidatos republicanos ou grupos aliados, enquanto os democratas responderam por 12%. O restante teve apoio de candidatos ou organizações independentes. O estudo aponta ainda que apenas 27% desses anúncios informam o uso de inteligência artificial na produção.

A ausência de avisos claros dificulta a identificação por parte dos eleitores. Atualmente, não existe uma regra federal nos Estados Unidos que obrigue as campanhas a declararem o uso da tecnologia em anúncios, embora alguns estados já tenham estabelecido normas restritivas.

O crescimento da tecnologia gerou críticas no meio político. O senador democrata Jon Ossoff, da Geórgia, que busca a reeleição em novembro, classificou o avanço como profundamente preocupante e um caminho perigoso para a verdade no debate político. Ossoff exigiu a retirada de circulação de um anúncio produzido por IA sem aviso prévio, financiado pelo Senate Leadership Fund — organização de apoio a republicanos —, que utilizava a tecnologia para sugerir que ele estaria maquiando sua prestação de contas.

Pesquisas de opinião também refletem rejeição à prática: um levantamento feito para a Fundação AAPC indica que 73% dos entrevistados julgam inaceitável o uso de inteligência artificial em campanhas.

Apesar da alta nos investimentos, especialistas ponderam que a volumosa quantidade de anúncios não garante impacto direto no resultado das urnas. Um relatório recente do Centro de Política Tecnológica da Universidade de Nova York aponta que a slopaganda é mais eficiente na arrecadação de recursos e na mobilização de bases do que propriamente na alteração de votos, enfrentando desafios para reter a atenção do eleitor diante do excesso de conteúdos gerados artificialmente.

Fonte: https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/10/31/slopaganda-como-a-ia-virou-arma-eleitoral-nos-eua-e-movimentou-mais-de-us-137-milhoes.ghtml

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