Durante uma sessão extraordinária no Congresso paraguai realizada nesta quinta-feira, 5, para definir o futuro político de Santiago Peña, o porta-voz da Presidência, Guillermo Grance, declarou publicamente que não sabe o paradeiro do mandatário. Parlamentares da oposição reunidos no local debatem se aceitam a renúncia de Peña ou se dão continuidade a um processo de impeachment motivado por suspeitas de crimes ligados à falência do banco digital Ueno.
A ausência de informações sobre o paradeiro de Peña levou críticos a traçarem paralelos com a situação do senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL). Parlamentares questionaram a permanência do presidente no país e expressaram receio de uma possível evasão da Justiça.
A senadora Esperanza Martínez, do partido Frente Guasú, pontuou que, caso a renúncia seja aceita, Peña poderá assumir como senador vitalício. "Vai pegar o avião que quiser, fazer o que fez (Flávio) Bolsonaro e ser recebido por algum governo amigo", declarou Martínez. Por outro lado, a parlamentar ressaltou que, se mantiver o cargo e enfrentar o processo de impeachment, o presidente não pode deixar o país sem autorização do Congresso e deverá responder perante a Justiça.
Pressionado pela imprensa em um grupo de WhatsApp, o porta-voz Guillermo Grance afirmou que não possui nenhuma informação sobre onde se encontra Santiago Peña. Em paralelo, a oposição formalizou uma queixa criminal contra o presidente por acusações que englobam enriquecimento ilícito, gestão em benefício próprio e tráfico de influência. A Procuradoria-Geral do Estado também instaurou uma nova investigação penal relacionada ao Ueno Bank.
Crise bancária e protestos
A instabilidade política eclodiu após a falência do Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras do Paraguai, que resultou no congelamento de depósitos de aproximadamente 3 milhões de cidadãos. A crise provocou forte comoção social e financeira, culminando na demissão do presidente do Banco Central e em protestos intensos na capital, Assunção.
O pedido de impeachment protocolado aponta mau desempenho nas funções e conflito de interesses. De acordo com as acusações, Peña — que assumiu o poder em 2023 com mandato até 2028 — detinha ações em um grupo controlador do Ueno Bank até se desvincular em março de 2025. Ele é acusado de adotar decisões regulatórias benéficas ao banco digital e de direcionar recursos previdenciários para a instituição, levantando comparações com o escândalo Master no Brasil.
Foro privilegiado e investigações
O aceite da renúncia de Peña poderia garantir-lhe foro privilegiado na condição de senador vitalício, cargo garantido a ex-presidentes pelo Artigo 189 da Constituição paraguaia, desde que não sejam condenados por julgamento político. Caso o Senado avance com o impeachment e o condene, o mandatário perderá o foro e responderá perante a Justiça comum pelo escândalo do fechamento do Ueno Bank. Saiba mais.
