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Diplomacia brasileira avalia como fracasso a tentativa de governo paralelo de Flávio Bolsonaro

Itamaraty avalia como inviável a tentativa de Flávio Bolsonaro de instituir um governo paralelo, traçando paralelos com o caso de Juan Guaidó.

Redação•29 de out. de 2026, 14:31
Diplomacia brasileira avalia como fracasso a tentativa de governo paralelo de Flávio Bolsonaro
Imagem: site

Diplomacia brasileira avalia como fracasso a tentativa de governo paralelo de Flávio Bolsonaro

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A tentativa de Flávio Bolsonaro (PL) de se autoproclamar uma espécie de liderança paralela no Brasil é considerada pela diplomacia brasileira como um movimento totalmente desprovido de viabilidade jurídica e política. A constatação foi trazida pela analista de política Isabel Mega durante o programa Live CNN de quinta-feira (29), após conversas com diversas fontes do Palácio do Itamaraty antes e depois da divulgação das cartas assinadas por Flávio.

De acordo com a analista, o Itamaraty já acompanhava de perto os desdobramentos e previa a conduta que o grupo bolsonarista adotaria. Fontes diplomáticas relataram que, caso a narrativa de governo paralelo ganhasse força, o governo brasileiro teria justificativas prontas, como a invocação da lei de reciprocidade contra os Estados Unidos, na hipótese de a gestão de Donald Trump endossar o discurso.

Contexto político nos EUA e riscos eleitorais

A analista explicou que o espaço obtido pelo bolsonarismo em solo norte-americano está atrelado ao cenário doméstico de Donald Trump às vésperas das eleições de meio de mandato. A equipe de Trump e de Marco Rubio pretenderia utilizar o cenário eleitoral brasileiro para provocar agitação e contestação de resultados nas urnas dos Estados Unidos.

"Se Trump perde nessas eleições de meio de mandato, o caso brasileiro, em que ele afirma parecer que tem fraude, sem que haja qualquer prova apresentada, seja por Flávio, seja por Donald Trump, será usado no discurso", pontuou Isabel Mega, ressaltando que nenhuma evidência de fraude foi apresentada por nenhum dos dois.

No âmbito diplomático, também houve alertas sobre a possibilidade de Flávio Bolsonaro assumir para Donald Trump um papel semelhante ao que Carla Zambelli representou para Jair Bolsonaro em 2022. O episódio em que a ex-deputada perseguiu uma pessoa armada em São Paulo, na véspera do segundo turno daquele ano, é visto por alas bolsonaristas como um fator que pesou negativamente no pleito.

Paralelo com Juan Guaidó

A alteração expressiva entre a primeira e as versões posteriores das cartas serviu de indício para a diplomacia de que a tentativa de instituir um governo paralelo — espelhada no modelo de Juan Guaidó na Venezuela — falhou em atingir o resultado pretendido. Na primeira versão de teor golpista, Flávio se autodenominava "presidente eleito do Brasil", enquanto nas edições seguintes passou a se autoproclamar "verdadeiro líder do Brasil".

A analista recordou que o próprio Juan Guaidó chegou a ser acolhido por Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, recebendo tratamento próximo ao de um chefe de Estado pela administração brasileira na época. "A inspiração de Flávio Bolsonaro bebe dessa fonte", concluiu.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/diplomacia-ve-fracasso-em-tentativa-de-governo-paralelo/

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