O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta segunda-feira (2) que um acordo voltado para encerrar a guerra contra o Irã "poderia acontecer", além de acrescentar que Teerã tem o desejo de realizar o tratado.
No mesmo dia, Teerã informou que os contatos com os Estados Unidos para finalizar o conflito de oito meses continuam. A declaração ocorreu após o encerramento de negociações entre autoridades iranianas e mediadores do Catar, que resultaram em propostas alteradas, mas sem avanços concretos. Anteriormente, mediadores catarenses viajaram a Teerã para dialogar com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, a respeito de um potencial acordo com Washington, segundo uma autoridade a par das tratativas.
Diante do temor de que os confrontos voltem a eclodir após as eleições de Meio de Mandato marcadas para terça-feira (3) nos EUA, Rússia e China manifestaram-se contrárias à possibilidade de renovação de ações militares no conflito que afeta a economia global.
O conflito teve início em fevereiro, quando Estados Unidos e Israel realizaram ataques contra o Irã que resultaram na morte do líder supremo Ali Khamenei. A guerra atingiu seu oitavo mês mantendo os dois lados em um impasse contínuo, sem progressos na diplomacia ou capacidade de romper o bloqueio militar.
Trump tem demonstrado oscilação entre ameaças de novos ataques e abertura para a diplomacia, oferecendo pouca clareza sobre seu objetivo final. No início do mês, o presidente americano publicou em redes sociais que Washington não atacaria o Irã antes das eleições de meio de mandato. A indefinição sobre a retomada ou não dos bombardeios após o pleito alimenta a tensão contínua.
Enquanto isso, o Irã busca projetar capacidade de dissuasão ao afirmar que conta atualmente com armamentos capazes de atingir mais alvos e provocar danos superiores aos anteriores. A continuidade da mediação esbarra na necessidade de que pelo menos uma das partes ultrapasse suas próprias "linhas vermelhas".
O impasse e a retórica belicista de Teerã, somados à falta de transparência de Washington, geram ansiedade e confusão na população de todo o Oriente Médio. Moradores dos países árabes do Golfo buscam sinais para se planejar diante de cenários como fechamento de escolas e interrupção de viagens, enquanto cidadãos estrangeiros na região avaliam a partida antes da data eleitoral após a qual novos confrontos poderiam ocorrer.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/trump-diz-que-acordo-entre-eua-e-ira-poderia-acontecer/
