Os preços globais do petróleo registraram quedas superiores a 7% nesta segunda-feira (2). O movimento foi motivado por tratativas entre autoridades do Irã e do Catar, que geraram expectativas de uma solução para o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, além de uma possível estabilização no fornecimento de combustíveis no Oriente Médio.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que o líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei, delegou ao governo “certas atribuições” voltadas às negociações de paz. Segundo a mídia estatal, Pezeshkian pontuou que Teerã buscará solucionar a questão por meio do diálogo, sem fornecer maiores aprofundamentos. Representantes iranianos conduziram dias de diálogos com mediadores cataris visando o encerramento do conflito. De acordo com uma fonte a par das discussões, um rascunho de proposta está em circulação e há perspectiva de uma reunião subsequente.
Por volta das 15h05 (horário de Brasília), os contratos futuros do petróleo Brent recuavam US$ 9,25, o equivalente a uma baixa de 8,15%, cotados a US$ 104,18 o barril. No mesmo horário, o petróleo norte-americano WTI (West Texas Intermediate) registrava desvalorização de US$ 8,08, ou 7,76%, sendo negociado a US$ 96,04.
Para o analista Pavel Molchanov, da Raymond James, indícios de avanço nas conversas entre Washington e Teerã exerceram pressão descendente nas cotações, embora ele ressalte que o ceticismo permaneça válido em razão de expectativas frustradas em momentos anteriores. O Brent havia encerrado o mês de outubro no patamar mais elevado em seis meses, impulsionado por temores de intensificação nas hostilidades antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, agendadas para esta terça-feira (3).
Giovanni Staunovo, analista do UBS, destacou que o mercado petrolífero demonstra extrema sensibilidade a qualquer informe oriundo do Oriente Médio. Conforme o especialista, enquanto receios de escalada impulsionaram os valores na semana anterior, as tratativas diplomáticas atuais provocaram forte retração no início da semana.
No domingo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, pontuou que o propósito das conversas em andamento consistia em manter consultas com os mediadores do Catar. O diplomata reforçou que Teerã permanece preparada para atuar tanto na defesa quanto na diplomacia. As negociações sucedem um período de elevação nos ataques direcionados a petroleiros que cruzam o Estreito de Ormuz, embora também ocorram indícios de alta nos embarques de grandes exportadores.
Dados de duas entre três empresas de rastreamento de navios indicam que as exportações petrolíferas da Arábia Saudita cresceram em outubro em comparação a setembro, mesmo diante de ofensivas perpetradas por houthis do Iêmen — grupo alinhado ao Irã — contra a infraestrutura energética do país.
O início do conflito no final de fevereiro provocou esgotamento nos estoques globais de petróleo. Segundo o presidente-executivo da ADNOC, estatal de petróleo de Abu Dhabi, o consumo mundial absorveu cerca de 1 bilhão de barris dos estoques desde que as hostilidades paralisaram a navegação comercial no Estreito de Ormuz.
Apesar da retração atual, analistas alertam para a possibilidade de novas altas. O Goldman Sachs revisou para cima suas projeções para a commodity no domingo, fundamentando-se nos riscos elevados de abastecimento. O banco apontou que o Brent pode atingir US$ 140 em 2027 caso a produção na região do Golfo permaneça 3,5 milhões de barris por dia abaixo da média registrada em 2025. A instituição financeira destacou que a intensificação de ataques a embarcações, os danos a estruturas energéticas e a manutenção de um prêmio de risco persistente figuram como os principais vetores de alta.
