Às vésperas do segundo turno da eleição presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), marcado para este domingo (25), especialistas em economia avaliam o impacto das propostas dos candidatos sobre o Orçamento e a dívida pública brasileira, que se aproxima de R$ 11,1 trilhões, equivalente a 82,9% do PIB.
Com 90% das despesas primárias previstas no Orçamento de 2027 já comprometidas com gastos obrigatórios, como aposentadorias, salários e benefícios sociais, economistas questionam como serão financiadas as medidas anunciadas pelas campanhas.
Renegociação de dívidas e impacto nas contas públicas
Flávio Bolsonaro propôs que o governo utilize a Caixa Econômica Federal para comprar dívidas inadimplentes de bancos e renegociá-las com juros menores e prazos longos, além de criar o programa "Ganha-Ganha". Especialistas como Murilo Viana e Daniel Duque apontam riscos na transferência de dívidas privadas para instituições públicas e em possíveis mudanças no comportamento de crédito dos bancos.
Por sua vez, o presidente Lula sancionou uma lei para perdoar dívidas de microempreendedores individuais (MEIs) com a União, abrangendo cerca de R$ 12,6 bilhões de 3,6 milhões de empreendedores, e incluiu o grupo no Desenrola 3.0, que exige descontos de pelo menos 90% por parte dos bancos na compra de carteiras de crédito.
Cortes de gastos e arrecadação
A equipe de Flávio Bolsonaro prometeu um corte de gastos equivalente a 1,5% do PIB, a revisão do arcabouço fiscal e a redução da estrutura estatal, além de revisar a reforma tributária, retomar o Perse e acabar com o "split payment". Economistas avaliam que promessas genéricas de eficiência são insuficientes diante do peso das despesas obrigatórias e alertam sobre a falta de espaço para reduzir a arrecadação.
Enquanto isso, Lula prevê ampliar gastos com programas como Bolsa Família, Pé-de-Meia, transporte público gratuito aos fins de semana, valorização do salário mínimo e subsídios aos combustíveis. Especialistas questionam a estratégia de elevar despesas contando com o aumento de arrecadação em um cenário de rigidez orçamentária.
