O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro compartilhou na noite de quarta-feira (28) a primeira imagem ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL) desde que o parlamentar fugiu para os Estados Unidos. Na publicação, Eduardo utilizou uma frase atribuída ao escritor bolsonarista Olavo de Carvalho, falecido em 2022: “Como diria o Professor Olavo: não parar, não precipitar, não retroceder”.
Conforme relatado por Eduardo, a fotografia foi tirada na própria quarta-feira. “Ontem foi um dia longo, talvez o mais longo da minha vida. Mas prevalecemos. Mesmo aqui de fora não desistiremos do Brasil”, declarou. Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) na gestão de Jair Bolsonaro e condenado a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado em 2023, também divulgou um registro ao lado de Flávio, visto que reside nos Estados Unidos desde o ano anterior.
“Livre da perseguição para ser a voz do Brasil por liberdade, segurança e prosperidade”, afirmou Ramagem, acrescentando que Flávio deixou o país, mas continua conectado aos brasileiros. Eduardo reside nos Estados Unidos desde 2025, período em que se transferiu com o objetivo de buscar apoio do governo estadunidense para conceder anistia aos indivíduos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Vivendo em autoexílio, o ex-parlamentar autodenomina-se um “perseguido político” e atua como articulador entre a família Bolsonaro e representantes do governo americano.
No dia 8, o ministro Alexandre de Moraes, integrante do STF (Supremo Tribunal Federal), ordenou a anulação dos passaportes e o início do cumprimento da pena de prisão de Eduardo. O ex-deputado recebeu condenação de quatro anos e dois meses de reclusão em regime semiaberto inicial, em decorrência do crime de coação no curso do processo de forma continuada, além de multa de 50 dias-multa com cada unidade fixada em dois salários mínimos, somando R$ 162 mil reais. A Suprema Corte apontou que o ex-parlamentar empregou sua influência para tentar interferir na ação penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Por sua vez, Flávio deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos na madrugada de quarta-feira, após ordem de Moraes para que entregasse seus documentos de viagem à Polícia Federal (PF). O magistrado fundamentou parte de sua decisão com base em uma entrevista na qual Eduardo sugeriu abertamente que o irmão se refugiasse nos EUA caso fosse derrotado no pleito. No domingo (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) garantiu a reeleição para um quarto mandato com 64.256.232 votos (51,79% dos válidos), enquanto Flávio Bolsonaro (PL) obteve 59.826.041 votos (48,21%).
