Alexandre Ramagem, ex-presidente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo de Jair Bolsonaro (PL) e filiado ao PL, publicou uma foto ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL) na noite desta quarta-feira (28), nos Estados Unidos. Na postagem, Ramagem declarou que o ex-candidato à Presidência viajou ao território norte-americano para atuar como a voz do Brasil na busca por liberdade.
De acordo com Ramagem, Flávio estaria livre de perseguição e atuaria pela liberdade, segurança e prosperidade. "Flávio saiu do Brasil, mas não deixou os brasileiros. Essa luta só terminará quando o Brasil voltar a ser um país livre. Esse dia vai chegar", afirmou na publicação.
Alexandre Ramagem reside nos Estados Unidos desde o ano passado, após deixar o Brasil apesar de uma proibição imposta pela Suprema Corte. Ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em setembro de 2025 a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão, além de 50 dias-multa no valor de um salário mínimo cada dia, por envolvimento na tentativa de golpe de Estado de 2023. A decisão do STF também determinou a perda de seu mandato como deputado federal. Conforme investigações da Polícia Federal (PF), Ramagem cruzou a fronteira de Roraima com a Guiana para ingressar nos Estados Unidos utilizando passaporte diplomático. Em julho, durante entrevista à CNN Brasil, ele negou as acusações e disse aguardar a análise de um pedido de asilo, após ter sido detido pelo serviço de imigração americano em abril e liberado dois dias depois.
Chegada aos Estados Unidos e carta divulgada
Flávio Bolsonaro desembarcou em um avião fretado no aeroporto executivo de Miami-Opa Locka (OPF) na manhã do mesmo dia, acompanhado da esposa e de duas filhas. Conforme apuração da CNN, integrantes do governo de Donald Trump já sabiam na segunda-feira (26) que o senador precisava entregar seus passaportes em 24 horas, e asseguraram que sua entrada no país seria permitida.
Ainda na noite de quarta-feira, Flávio divulgou uma carta de teor golpista na qual afirmou não reconhecer o resultado da eleição que garantiu a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Inicialmente, ele se autodenominou "o verdadeiro presidente eleito do Brasil", mas posteriormente recuou do termo e publicou uma nova versão do documento adotando a definição de "líder".
Dados da Justiça Eleitoral apontam que Lula venceu o segundo turno com 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos válidos, enquanto Flávio obteve 59.826.041 votos, correspondentes a 48,21%.
